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sábado, 18 de agosto de 2018

I've slept so long without you...




Chega um momento que a besta fera se cansa de apenas espreitar e quer se aproximar. Ela quer entrar, cheirar, sentir. Saber. Ela quer se fundir, estar dentro e fora ao mesmo tempo.

Eu fecho os os olhos e fico imóvel, tentando com desespero, deixar a mente limpa. Eu estou no comando de mim. Não é fácil se livrar do peso que essa vida impõe e que não é meu, nunca foi. Mas por que? Não sei.

Eu estou no comando e uma parte precisa se lembrar disso.

Tudo é escuridão, nem uma tocha ou vela, nem um sussurro, apenas um grande e vazio nada.

Eu sinto. Não com os olhos, nem com a mente e muito menos com a pele.

Eu sinto com um sentido que não sei o nome.

Neste momento tudo é apenas um grande nada como no momento que antecede a saída do útero de nossa mãe. Só que não há luz e não há mãe.

Só eu existo.

E existo de uma forma que é doce experimentar.

Eu escapei da realidade e fui para o templo quebrado.

Eu escapei da realidade e voltei para mim.

Chega um momento que a besta fera se cansa de apenas espreitar e quer se aproximar.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Eu sou uma peregrina

Meninas do Advanced Style


Dias atrás uma pessoa comentou comigo que estava por fora das boas informações sobre bruxaria e afins no Brasil, que o que era publicado de bom estava fora do ar. Eu guardei essa informação e estou pensando muito nessa conversa. Passei um tempo me sentindo assim também, principalmente no hiato de uns 3 anos após parir meu filho. A vida da gente muda e parece que não temos tempo para aquilo que era bacana, etc. Acho que em algum momento, isso acontece com todos nós.

Esse hiato foi bom para mim pois, quando ele acabou eu sabia que tudo tinha mudado, inclusive meus interesses e práticas. Foi como começar do zero. Ou não. Primeiro eu realmente quis começar do zero, refazer velhas práticas básicas já que eu não tinha mais certeza se elas estavam afiadas ou não. Na verdade bem verdadeira, eu nunca fui muito afiada! Precisei ter um olhar paciente e amoroso sobre mim mesma, caso contrário eu iria falhar mais vez. Eu já não tenho mais o tempo que eu tinha para ficar divagando sobre o nada. Depois de um tempo percebi que não era desse jeito que eu deveria caminhar. Ter apoio e ter com quem conversar abertamente foi fundamental também. Ahh e eu aprendi a abrir meu coração sem medos de julgamentos, isso facilita MUITO! Bom, tenta daqui tenta dali, conversas mil e voilá, percebi que existia um campo no ocultismo que eu jamais havia olhado........... por puro preconceito. Mas isso é assunto para outro post.

A gente se isola e fica achando que não tem nada de bom, ficamos saudosos dos bons tempos e esquecemos de seguir, reclamamos que nessa coisa louca chamada internet que é terra sem lei que aceita todo e a todos, nada de bom pode aparecer. E obviamente, colocando a culpa no mundo, não percebemos que tem muita coisa boa acontecendo sim! Alô...você só está querendo ser aceito!!! O mundo está girando e você está ficando para trás! Run, Lola, run!

 A galera nova está fazendo tradução em blogs, publicando livros que a gente sempre sonhou serem traduzidos para o português, montando grupos de discussão bons, enfrentando o sistema patriarcal e fazendo aquilo que os bons magistas devem fazer: transformando. Então que tipo de pessoa seria eu se não participo dessas mudanças? A velha que reclama do preço do pão e não sabe fazer nem a massa! E, senhora e senhores, eu não quero ser essa velha! Ora, a idade (que nem é tanta assim,ok?) traz uma ferramenta maravilhosa: bom senso (se vc adquiriu bom senso na casa dos 20,eu tiro o chapéu pra vc, pq eu não consegui!!) e eu vou usa-la ao meu favor para separar o bom do ruim. E nada me impede de não ficar nos lugares, mas é burrice não visitá-los para saber se valem a pena, concordam?

Vou dar a dica que meu pai me deu a vida inteira: não procure nos lugares óbvios! Eu me surpreendi por exemplo, com o tanto de mães que se interessam pelo assunto direta ou indiretamente. E o mais legal é que eu conheci uma grande amiga no meio materno e ela não é mãe (e nem pretende!!). Então, para onde você não está olhando?

Eu gosto de sentir esse maravilhamento pela vida ! Aprender coisas novas e/ou aprender a olhar coisas velhas de uma nova maneira está fazendo muito bem para minha autoestima. Ficamos no nosso pedestal de fumaça, achando que já sabemos muita coisa, com a sensação de estar só revisando a matéria, quando no fundo estamos escondendo auto estima baixa e insegurança de nós mesmos e do mundo. Além do receio infantil de fazer novas amizades por mil motivos. Ou seja, às vezes nós somos a criança tímida no primeiro dia de aula. E tudo bem, viu? Tá tudo bem.

Se você estiver lendo isso (e eu sei que está) tenha certeza que você tem muito que aprender e também tem muito a passar para frente.

PS: se vc se interessou pelas meninas que ilustram esse post, indico o documentário Advanced Style


terça-feira, 3 de julho de 2018

Tudo o que é puro e belo



Quando a gente faz um ritual devocional, abrimos o nosso coração para o amor. É muito diferente de um ritual de magia, pois envolve coisas diferentes. Como eu já disse antes tenho me desprendido do caminho devocional, mas sei bem que nunca vou abandona-lo definitivamente. Agora eu separo o joio do trigo e  sei quais são as coisas que preciso dar atenção.

Posto isso, nada mais justo do que fazer os rituais da Grande Senhora do Egito, Senhora do Heka e de toda a magia. Aset é na minha visão, completa em si mesma, como se todo o que emana Dela me fosse suficiente, através Dela chegam as explicações que tanto preciso. Mesmo optando pelo caminho solitário, mesmo não sendo de bando, mesmo eu estando perdida no meu caos pessoal de aprendizado, ao fim é o rosto Dela que me observa. É justíssimo prestar-lhe todas as devidas homenagens.

Ontem no calendário Kemético (grosso modo, um culto baseado no antigo Egito) foi o último festival de Aset, seu festival de luzes, um dia de busca, de devoção, de ajuda. Eu tenho vivido intensamente a minha busca, a busca de uns pedaços que deixei por aí, a busca de novos propósitos e significados. Antes do ritual eu não tinha me dado conta de eu estava na minha peregrinação, na busca de minhas partes mortas que precisam de vida outra vez. Mas, Ela tem o poder de dar vida a quem assim busca.

E assim foi.

No momento de prece, minha boca abriu como quem precisa falar e expor toda a sua gratidão. Sempre fui tímida com as palavras e no tom de voz durante rituais e dessa vez mal me reconheci. Chorei mantendo firme a minha voz, eu ouvia a mim mesma do lado de fora de mim. Consegue entender? De minha boca as palavras Dela saíram na forma de reconhecimento de meus pedaços, nomeando cada um e sua função, como se agora eu realmente tivesse um ofício a cumprir. E ele é grande. E se pensar bem, não me é nenhuma novidade.

Rituais são momentos incríveis de conexão, de gratidão e – por que não? – de colo. Mas ontem eu senti aceitação. Não, eu não preciso de aceitação de uma Deusa, que independente da minha existência está ali para todo o sempre. Eu preciso de aceitação de mim. Quantas vezes vi e senti meu poder e não o tomei para mim? Aposto que você que está lendo também já experimentou essa sensação. Talvez seja inerente à mulher contemporânea. Agora, aqui dentro do peio, algo assentou e fez morada, como se fosse uma companhia perpétua, como se algo ou alguém tivesse acordado de um longo e profundo sono.

Os meus estudos recentes me colocaram aqui, neste ponto do caminho. Agora é a hora de testar os conhecimentos. E o sucesso será a minha prova. Não é assim com tudo na vida?

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Seja bem vinda!


Era o primeiro dia de curso e eu não lembro bem da dinâmica, eu só sei que disse: quem cuida do cuidador? E eu recebi o olhar mais amável de uma mulher que admiro muito. É certo que chorei.  Ali se iniciava o curso de Ginecologia Natural que está mudando pouco a pouco a minha visão de muita coisa.

Todos os oráculos, dia após dia, tirada após tirada, sussurro após sussurro me mostram o caminho da cura. E eu inocente ( ou prepotente?) que sou, achava que iria curar pessoas. Não minhas amigas, não tão simples e nem tão rápido: eu que estou precisando começar e terminar um ciclo de cura e eu tive a certeza disso da forma mais dura: adoecendo. Não vem ao caso contar como tudo se deu e sim como eu lidei com isso.

Quando algo da nossa saúde nos é tirado sem aviso prévio é ... desesperador. Em minutos tudo muda e decisões precisam ser tomadas. Mais uma vez a vida me colocou em xeque . Em momentos como esse eu sempre me lembro de uma passagem da saga As Crônicas de Gelo e Fogo (mais conhecida como Game of Thrones) em que Sirio Forel está ensinando minha heroína favorita a manejar uma espada e que se tornou um dos meus lemas de vida

Não,eu não quase morri.Calma!


Eu fiz uma escolha consciente e lúcida de enfrentar e agarrar tudo o que fosse bom , além de acabar definitivamente com tudo o que estava me impedindo de viver. E quando digo viver é bem no sentido amplo da palavra. Eu estava num processo frenético de estudos acadêmicos de longa data, emendando uma graduação na outra, nunca ficando parada por medo de me sentir inútil, sempre arrumando algo “importante” para ser feito. Sem perceber, o ritmo louco passou de gostoso para torturador, as noites de insônia começaram a ficar mais frequentes e os sorridos mais escassos. Ahh, já já acaba era meu lema. E nunca acabava. O corpo já mandava avisos há algum tempo, providencias médicas eram tomadas e o ritmo continuava, afinal já estava quase acabando. A única coisa que me orgulho é não ter chegado ao ponto de tomar medicações que me dopassem. Eu gosto da realidade, por pior que ela seja.

Certo dia meu corpo tomou a decisão por mim: ou vai ou vai ,porque assim não dá mais.
Na sala de espera da vida, a mente deu a vez para o coração e se retirou para descanso. O coração colocou um xale sobre a mente e disse: descansa que eu cuido aqui. Na hora certa, trabalhamos juntos. Até lá, sossegue.

E eu percebi que esse ritmo já vinha num crescente há quase 10 anos. Eu me perguntei: o que vale a pena? O que eu quero de verdade? Onde eu quero estar? Com quem eu quero estar? E o principal: o que eu quero fazer?

Eu quero cura!!

Outra pessoa no meu lugar estaria chorando. Eu estava rindo, gargalhando e alívio! Eu estava em poucas horas voltando a ser eu. E como quem volta de uma longa viagem, abri as janelas de todos os cômodos e coloquei uma boa música para dançar. Me abracei forte como quem sente saudade.  Por uns dias me senti uma estrangeira num trem de destino desconhecido. Aos poucos , tateando aqui e ali, reconheci o cenário. Entre uma xícara de café e outra, entre gargalhadas com meu filho e marido, tomei a decisão de não decidir nada.

Esse final de semana tive mais ensinamentos de cura com o curso de Ginecologia Natural. E com aquelas meninas tão novas, tão crédulas, eu resgato a pessoa que vim para ser nessa vida de agora. Deixo voar para o centro do círculo o melhor de mim, recebo afeto que cura minhas feridas do corpo e espírito. E tal como uma xamã, renasço para poder servir.

E eu descobri que eu não sabia me acolher. E me acolhi. E me recebo todos os dias.

Agora eu tenho duas datas de nascimento: 1977 e 2018.



quinta-feira, 7 de junho de 2018

I'm only human after all


Hoje por um motivo pessoal, sentei usei minha manhã para olhar todos os meus cds de back up . Com isso muitas janelas foram abertas em mim sem que eu esperasse. Olhar fotos antigas é como abrir as janelas da alma e deixar o vento tirar o cheiro de mofo, substituindo por aroma de alfazema. Sorri com as lembranças, todas elas, pois percebi que muitas não doem mais.

Revi uns 12 anos da minha história.

Relembrei pessoas e momentos, seus cheiros, suas vozes. Músicas que embalaram momentos sagrados, danças, promessas, imaturidade, redenção. Coisas que estavam escritas para ser e não foram. Corações partidos, risadas gostosas. Gente que cresceu, gente que morreu, gente que partiu.
Tenho em mim a satisfação do não pesar. Respiro fundo e deixo a saudade invadir e sentar ao meu lado. Consigo sorrir e recontar para mim mesma os bons momentos vividos. Minha história, meus pedaços de chão percorrido.


Mas o que me foi mais surpreendente foi o olhar para mim mesma. Nesse meu momento eu consigo olhar para a minha pessoa/corpo de ontem com generosidade e atenção.  Olhei os vários cabelos que tive as roupas, os gestos, os sorrisos resplandecentes e tudo era reflexo do que vivi naqueles momentos.

Agora me despeço mais uma vez do que já foi/fui e sigo meu caminho. Eu realmente sinto meu coração aberto como janelas onde o sol e o vento entram sem fazer cerimônia. Tenho plena consciência que muitas vezes sinto coisas ruins, que o rancor espreita querendo fazer morada outra vez. Sou humana. Mas minha maior vitória é no dia seguinte, abrir mais uma vez as janelas e deixar o sol entrar.

sábado, 5 de maio de 2018

Verum, sine mendatio, certum et verissimum




Assim como é em cima é embaixo...Essa é a primeira máxima da Tábua da Esmeralda que  a maioria dos ocultistas já passou pelo menos o olho. Eu nunca dei muita bola até que um dia tudo fez sentido. A gente estuda, estuda e esquece de aplicar o que estuda na vida cotidiana, achando infantilmente que pode transformar a vida numa mundo cheio de efeitos especiais, esquecendo que as coisas acontecem de fato,  num nível mais sutil. Sim, às vezes eu me comporto dessa maneira idiota!

E assim como é fora é dentro, ouso dizer e é nesse ponto que eu me pego pensando há semanas. Passei muito tempo me preocupando com as idas e vindas do plano astral, habilidade que não me é plena ainda. Agora indago a mim mesma: de que adianta querer essa habilidade se meu mundo físico anda bem bosta? Não entendo nada de alquimia mas, me parece que eu preciso transformar o denso em algo sutil e se tenho matéria prima ruim o resultado final só pode ser ruim. Os alquimistas me perdoem se eu estiver falando besteira,ok?

Posto isto, resolvi cuidar do meu físico e esperar que de alguma maneira com o passar do tempo, o meu sutil seja de uma qualidade melhor. Andar no caminho da espiritualidade é passar por muitas ciladas e quando se está só , a coisa é bem mais complicada pois não temos a quem recorrer ( ok, nunca se está totalmente só,eu sei ). Acho que a maior cilada de todas é a cilada do ego, aquela parte da gente que nos cegas se não é bem trabalhada e conhecida. E o meu orgulho foi aquela pimenta forte nessa cilada toda!

Tudo aquilo que resolvi deixar de lado por achar bobeira, passa aos poucos, a fazer parte da minha vida. E é difícil!! Se eu pensar como os egípcios, essa mudança de comportamento é chamado de alimentar o Ka, ou dar força à minha energia vital. Eu sou muito mental e passei muito tempo dentro do mundo acadêmico somente alimentando (ou pelo menos tentando) o meu cérebro. Chegou um momento que isso não me dava mais prazer. Aliás, é o meu momento atual. Cérebro cansado, corpo destruído e esquecido. (olhe o post anterior). O que fazer?

Eu sou mulher e havia esquecido disso. Eu sou um ser vivo e havia esquecido disso. Senti-me na verdade como o autômato do filme a Invenção de Hugo Cabret. Agora preciso fazer meu sangue voltar a circular pelas veias do resto do meu corpo. Experimentei no espirito o veneno de estar em desequilíbrio e ele é amargo.

Resolvi pegar o caminho o que está fora está dentro. Chegou a hora de ficar bem com o externo que foi evitado sistematicamente por um bom tempo. A gente pensa que saiu do ranço cristão até se deparar com coisas vinda dele , coisa do tipo evitar a vaidade em nome de outras coisas mais sublimes. Balela!!! O corpo e a vaidade são bons sim! Corpo são, mente sã, os gregos estavam certos muito antes da era cristão inventar besteiras para nos anular!

Primeira providencia simples, mas eficaz: maquiagem. Bobo ,né? É...eu sei . Eu gosto de ter os olhos pintados, confesso. Nem sei se combina e eu não ligo muito para combinações. Eu gosto e é isso. Com filho, horários a cumprir, sono acumulado nem sei quanto tempo, calor infernal, pressa, pressa, pressa.... acabei deixando esse item pegando mofo dentro do armário. Lembrei de antigos votos feitos, lembrei que pintamos nossos rostos e corpos desde tempos antigos e que isso tem um significado de poder. Poder,por que não? É um ato simbólico que me lembra e me faz externar aquilo que tenho de melhor e mais bonito, é uma vestimenta que me trás poder, acho que é o equivalente a quem usa roupas pretas para se achar poderosa. Enfim, é algo que me faz bem. Entenda: não é aquela maquiagem que estamos vendo por aí, carregada, com várias camadas, exagerando ao extremo o que já temos de melhor. É uma maquiagem leve, que acentua algo que eu gosto e que me faz ter consciência de uma parte de mim que precisa viver.

Esse simples ato já faz minha coluna ficar ereta. Lembrando que meu caminho é dentro do kemetismo, então olhos pintados de preto são parte da imagética sacerdotal e da celebração, assim como jóias e vestimentas. O que faz todo o sentido para o objetivo que quero alcançar.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Ela é forte.E esse é o problema




Um dia me olhei no espelho e me assustei. Olhos tristes, corpo cansado, mente saturada. A vida me deu um porrada muito forte em 2017 , eu caí e lá fiquei. Acho que foi ali que entrei no modo automático de viver. Mas o espelho não mente e lá estava refletida toda a minha verdade. Eu estava (e ainda estou ) cansada. Olhar-se e não se reconhecer,  perguntar  onde estamos e adquirir forças para a busca. A gente sabe que precisa fazer algo para si, mas às vezes não sabemos por onde começar. Eu admiti que não estava tão bem quanto eu imaginava, conversei com pessoas queridas, tive apoio e fiz o duro trabalho de aceitar que preciso e devo contar com ajuda nessa jornada de volta a mim mesma. Não é fácil mas, é possível quando se tem uma rede de apoio.

Por que é tão difícil:

  1.  Reconhecer que estamos exaustos?
  2.  Pedir ajuda?

Existe um ponto absurdamente dolorido, mas muito positivo nisso tudo: eu precisei muitas vezes engolir o meu orgulho e aceitar ajuda. Precisei calar e ouvir sem transformar a conversa num embate no qual eu teria que ser vencedora. Dói e quem é orgulhoso vai me entender!

Considero esse momento como o meu primeiro passo para uma jornada de cura. No fundo eu sei que ela é necessária até mesmo para a minha volta ao caminho mágico. E também reconheço algumas paradas obrigatórias desse caminho. No fundo a gente “sabe”. E agora eu reúno velhas e novas ferramentas de trabalho.

Numa dessas zapeadas sem compromisso pela internet encontrei uma dica de jornada com o tarô, peguei-a, adaptei para o meu jeito e comecei e brincar novamente com as minhas cartas. É como ter o sangue voltando a bombear o coração, o tarô é ferramenta e caminho de cura! Comecei a pensar no que deixei para trás e no que posso recuperar e adaptar. Quando não entendo, amigas tarólogas me dão a mão e seguimos. Amigos são como as tochas de Hécate. Ponto para mim que aceitei ferramentas de ajuda!

Com todos os trancos acadêmicos que passei mais o problema que tenho que carregar, meu cérebro adquiriu um modo seguro de agir e eu entrei no automático. Eu deixei de ter empatia comigo mesma. O meu eu verdadeiro (sempre sábio) grita por vida e isso causa várias panes no meu sistema. Uma luta entre o dever e o querer. Fiz um acordo comigo mesma: termino (bem ou mal) a minha graduação nos próximos meses, continuo cuidando daquilo que não posso abrir mão e vou fazer por mim aquilo que precisa ser feito.

Percebi que fazia tudo com pressa para poder dar conta , obviamente sem conseguir. Com isso deixei de fazer coisas que gostava, sempre dando desculpas, sempre colocando o viver em último lugar. Eu me privei de tudo. E se alguém me perguntar, racionalmente eu não sei responder. Talvez nos próximos anos de terapia... Comecei a me esconder e a crosta que criei foi tão forte que veio para o exterior: engordei. Ok, sempre fui gorda, mas engordei mais . Ai outro sininho tocou dentro de mim: a saúde não estava bem. Ir ao médico é um porre pq eles são uma classe que por si só vive no automático. Mas, não posso abrir mão desse cuidado e em paralelo tenho buscado alternativas. Não, eu não vou falar de emagrecimento! Comigo as coisas acontecem no profundo e não no raso.

Busquei pelo movimento Body Positive que eu sabia bem por baixo do que se tratava até então. Na verdade eu quero entender o que é aceitação de si de maneira ampla, mas sem discursos chatos porque eu me entedio fácil e tive uma bela surpresa com os canais do Brasil. Pessoas divertidas, falando sobre si sem pieguismo e sem discursos de super pessoas que encaram tudo sem medo. Vida real para pessoas reais.

Esse é um processo que vai ficar para outra postagem .

O ponto aqui é que eu finalmente consegui me abrir mais um pouquinho para o mundo e para os meus. Inclusive,esse post confuso é parte do processo. É tudo novo. É como aprender a andar. É uma nova linguagem onde eu mais erro do que acerto. É como largar um vício. Se você está numa fase desse tipo , se permita e segue em frente. Pede ajuda profissional, aceite a mão dos amigos e pessoas queridas. Vai dar certo.Confia!


quarta-feira, 21 de março de 2018

A colheita


Equinócio de Outono -2018

Esse ritual teve dois atos.

1º ato

Foto pessoal


Eu espero o outono como uma criança espera o Natal. Eu e ele somos amigos de longa data e sempre que lembro do inicio do meu caminhar, é nessa estação que minhas lembranças residem. A sensação daquele ventinho timidamente gelado que dura poucos segundo, é esperada com paixão todos os anos. E quando ele chega, traz em si as palavras há muito sussurradas pelos antigos.

É época de cuidar da casa e de tudo o que se relaciona com ela e como estou numa vibe bem caseira, coloquei as mãos á obra. Preparei o meu lugar de poder, pensei ações para serem executadas durante esse período, troquei impressões com as amigas bruxas.  

A noite caiu, o cheiro de canela permeou meu lar, o material foi colocado a postos, os banhos foram tomados. Todos em casa dormiam e eu fui cuidar daquilo que tem que ser feito. Sem pedidos, fiz um grande balanço de tudo o que colhi nos últimos tempos. Nesses momentos me dou conta do quanto a minha vida é especial, rica, graciosa. Mesmo os momentos difíceis que passo, esses calos na alma; me fazem querer agradecer essa mulher que me tornei/torno a cada curva do caminho. Eu lutei muito para ser essa que sou e tenho lutado cada dia mais e principalmente contra mim mesma, portanto  perceber em dias de maré , o meu poder é algo que ainda me enche de maravilhamento. E não é isso que artistas precisam para viver? O que seria de mim sem o maravilhamento que as coisas em causam! E me dar esse olhar é tão incrível que não dá para resumir num pequeno texto como esse.

Cheiros, músicas, agradecimentos, energias.

Velas acesas, agradecimentos feitos. Fico a mirar as chamas dançando e deixando a luz me levar em seu colo.

2º ato

De repente, meu filho aparece com seus passinhos de meia e fica encantado com as muitas velas acesas e outras tantas em cima da mesa. Conta e entende que aquelas eram para as pessoas da casa. Só que ele detectou dois problemas muito sérios e foi solene em suas colocações: os cachorros moram aqui e não tem velas pra eles! E precisamos acender uma vela na rua ( na rua!!!) para as pessoas não ficaram doentes.

A vela negociada.Na rua não pode,ok?- Foto pessoal


Tivemos um momento de conversa onde tive que me abrir para negociações referentes às velas. Depois perguntei se ele queria saber como era o processo de acendê-las, que era um pouco diferente das velas de aniversário. Ele se mostrou muito disposto a aprender e assim foi. Ensinei de maneira que sua mente de 5 anos pudesse compreender, inclusive normas de segurança. Tudo feito, ele me chamou para uma conversa e ficamos sentados conversando até nem sei que horas.

Foi a primeira vez que ele participa ativamente de um ritual, mesmo que o final dele. Não o educo dentro da minha fé (que é a do pai também), pois pensamos que crianças precisam saber quem são e como agir no mundo ,então fé e espiritualidade nunca foi um norte por aqui. Não diretamente. Não há deuses, há os elementos, a lua que o lugar onde os mortos vivem (!!) e o rei sol pai das estrelas. Ele cria sua mitologia e elas viram histórias.

Confesso que meu coração se aqueceu absurdamente com a atitude dele, mas fiquei atenta aos significados que ele trazia para mim. Aquele par de olhos de obsidiana são atentos e aquele coração de cristal sente mais do mundo do que eu posso imaginar. Ele se apresenta a mim aos poucos e eu o aceito o que ele me oferta. E assim vãos construindo uma relação que vai além de rótulos.

Foi o ritual mais lindo de toda a minha vida! Eu colhi beleza através do meu filho, a melhor colheira do mundo!

segunda-feira, 19 de março de 2018

(Re) Aprender




Eu tenho meditado de uma maneira muito minha. Não é nada programado, mas é algo que preciso que se torne um hábito. Geralmente antes de dormir tento limpar meus pensamentos com aquela técnica bem bobinha de deixar ir num barquinho aqueles pensamentos perturbadores, sabe como? E dar atenção plena àqueles pensamentos que realmente valem a pena. E é como uma luzinha acesa piscando “AQUI! AQUI!” E com isso vou tentando organizar esse turbilhão que há dentro de mim. Percebo que vou revisitando e revisando antigas ideias, daquelas que eu já havia dado como mortas.

Nasci e cresci dentro de uma família kardecista de longa data, família que se interessava por fenômenos sobrenaturais de diversas formas e que alguns levaram o estudo e prática adiante. Quando eu nasci a coisa toda já estava meio esquecida então só participei da teoria das coisas. Sempre ouvi, mas me colocaram tanto medo e distanciamento que ou eu achava chato ou eu tinha medo. Quando cresci joguei tudo fora e descartei toda e qualquer possibilidade de estudo do kardecismo, birra mesmo. Normal quando se está buscando a própria identidade!

Pois bem, eis que me deparo vendo vídeos em canais do YouTube  onde os conceitos aprendidos outrora são expostos de maneira mais moderna e objetiva, sem perder a ideia central. E percebi ( Ohh descobri a pólvora,heim?) que esses conceitos estão comigo o tempo todo, mesmo eu os negando. Enfim, cresci e aceitei que a base que meu pai me deu ainda está aqui um pouco mais polida e com uma identidade além da dele.

Mas por que essa escrita de hoje?

Para eu não me esquecer de rir de mim mesma!!! Ah, quem não teve a soberba do ego achando que estava fazendo algo novo e diferenciado? E aí caímos na realidade que nos diz: “ Então queridinha, vc tá fazendo o mesmo que seus antepassados, só que com uma nova roupagem, viu? Baixa essa bola aí e continua andando! ”

Quando a gente sai do estado de negação e passa para o estágio da aceitação ( mas não a aceitação passiva e submissa, heim?) consegue trabalhar melhor com as ferramentas do ofício, seja ele qual for!
E se eu fechar os olhos posso ouvir a gargalhada do meu pai, aquela gargalhada boa que sacudia ele todinho!

terça-feira, 6 de março de 2018

A voz


I am the Voice in the wind and the pouring rain,

I am the Voice of your hunger and pain;
I am the Voice that always is calling you,
I am the Voice
The Voice- Celtic Woman






A sobrinha de um grande amigo se interessou pela Velha Arte. 

Hoje ele me pediu para emprestar um livro nível iniciante, que aliás era dele! Meu coração explodiu de amor,pela oportunidade de ajudar uma caminhante que está interessada e bem orientada.  Eu dei o livro porque é para isso que eles servem, para circular por aí.


Não nego: não tenho a mínima paciência para quem está começando nos dias de hoje. As pessoas se tornaram preguiçosas, acomodadas e dependentes e suas almas ainda estão domadas. E às vezes eu me encaixo nesse padrão, não sou perfeita. Porém esse caso, vindo de quem veio, despertou um comichão em mim, que aliás, está me perturbando há uns dias.

Tenho uns posicionamentos meio confusos  perante as pessoas que se dedicam a instruir os jovens caminhantes.  Ora acho que eles perdem tempo, ora os acho verdadeiros mestres na arte da  paciência . Além de terem fé no outro, é claro. Nunca instruí ninguém, eu só escrevo ou falo o que penso e nem sei se isso faz alguma diferença no mundo fora de mim. Mas,tenho pensando nas boas possibilidades que o mundo sem  fronteiras nos oferta neste momento tão frágil .

Não estou pensando em formar grupos de estudos ou coisas do tipo. Não tenho menor traquejo para ser professora/orientadora. Só tenho pensando em como ajudar essa moçada que está cada vez mais frágil e perdida num mundo repleto  de possibilidades e ilusões. Talvez através da página do Facebook, divulgar eventos, cursos e grupos de estudos que eu realmente conheço e confio, seja um passo. Não sei.

Sinto que o momento é para suavizar a dureza das coisas. Quem tem uma visão mais ampla de espiritualidade pode (e deve) acalmar os ânimos ao seu entorno e mostrar possibilidades de ação. Isso não é carregar ninguém no colo, as escolhas são pessoais, inclusive a escolha de carregar ou não.  Não recomendo que se carregue ninguém, que fique claro! Ensinar a pescar é o lema que não deve ser perdido!

Enfim, deixei um bilhete dentro do livro que essa mocinha ansiosa em breve começará a ler. E espero sinceramente que seu espírito continue indomado, independente se ela abraçar a bruxaria ou não. Tendenciosamente, porém em silencio, torço para que ela seja mais uma a agregar na trilha sagrada! Mas racionalmente, só espero que ela cresça sabendo quem é, o que quer e como agir no mundo.

O chamado ainda é ouvido por aí.