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domingo, 18 de fevereiro de 2018

Uma carta para mim mesma


       

Minha querida,
        
Escrevo-lhe por saber que vc não está em seus melhores dias. Escrevo-lhe para lembrar que sim, tudo passa e esse momento que lhe aprisiona em que escolhas não lhe são dadas, também passará. Lembra qdo o bebê chorava e vc achava que aquilo nunca teria fim? Lembra das longas horas de amamentação nas madrugadas sem fim e vc achava que aquele bebê mamaria para sempre e que vc nunca mais ia dormir na vida? Ali também não havia escolha e tudo acabou passando. Tudo passa, não se esqueça disso. Eu sei, eu sei, é fácil falar daqui onde estou, mas é deste lugar que posso vislumbrar que vai passar. Lembre-se, vc não está só. Vc é amada!  Apegue-se a essas pessoas que estão contigo nesses momentos: A amiga que lhe lê as cartas e faz suas tardes felizes. A amiga que lhe leva para beber para vc desopilar a mágoa. Aquela psicóloga que lhe dá o direito da voz da raiva. Tanta gente!! O amor da tua vida que segura as suas mãos qdo vc chora de desespero e escuridão.  Tudo é legitimo no seu sentir! Então não se esqueça e se apoie! Lembre-se que vc é seu próprio lar. Chore,chore muito. Chore de raiva,chore de dor, mas chore. Não guarde a dor,pois como disse a poeta: palavra presa é tumor. E lágrimas também. Nós não queremos adoecer. Pinte suas cores, pinte suas telas e transforme toda sua dor. Mesmo que ninguém veja, pinte. Pinte a dor como Frida pintou. Escreva compulsivamente. Faça sua magia. Vc sabe que esses para vc são seus melhores momentos de poder. Faça tudo o que lhe digo com dignidade. Mesmo qdo vc se descabela, vc é digna. O não expressar é uma indignidade, não se esqueça. Vc sobreviveu há tantas coisas duras em 41 anos e vai sobreviver a mais uma. Vc nunca desistiu nem em pensamentos. Permaneça firme,eu estou aqui com vc sempre. Confia. Vai acabar pq está escrito assim e vc sabe.Eu te amo por toda essa força da natureza que vc é e por esse sol que brilha em vc inteira. Que essa palavras selem o seu nome caminho. Eu sou a pessoa que vc sempre buscou.




quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Sussurros



Mais uma manhã de sussurros. Acordo com a sensação de que vaguei demasiado, falei demasiado e ouvi bastante coisas. Acordo com a sensação de que mais um item foi colocado em minha bolsa, que mais um ensinamento foi compreendido. Porém, se pedirem para que eu diga tudo o que sinto depois do sussurro, com palavras audíveis, eu não saberei fazer. Não sei explicar, mensurar, contar.

Por vezes penso que é apenas a minha imaginação.

Mas há uma parte de mim que sabe, que sente, que crê.

Há dias que ainda não sei quando se dão num padrão, que a minha voz fala por conta própria,com a propriedade de séculos de estudos e experimentações. Há vezes que minha voz se levanta e diz não, quando todos dizem sim. Há momentos que minha voz é assertiva em suas colocações e eu vejo as pessoas fugirem de medo. Mas sei que essa voz diz a verdade. Eu sei. De repente muitas coisas eu simplesmente sei ou simplesmente compreendo como quem relembra algo há muito esquecido e não tocado pela memória. E a mente racional insiste em indagar como eu sei o que sei.

 Há momentos que me sinto muito só nesse sentir. Quando tento dizer, vejo cabeça balançando em concordância e almas se fechando em discordância. Eu vejo.

Olho para os lados e me parece que todos dentro do Caminho, sabem o que estão fazendo e sinto que eu esteja brincando com coisas que não entendo. Sei que é o racional querendo sempre se sobressair e que no momento do Sussurro é hora de abandonar tudo.

 Humana, demasiado humana eu sou.

Há que se deixar essa humanidade de lado por um momento e receber o sussurro até que ele se torne audível. Mas sei que é o sussurro quem decide se gritará ou não.

Sinto-me um receptáculo.

Sinto-me velha num sentido bom da palavra. Uma velha encarquilhada pelo tempo de sono e que precisa falar. Mas quem ouvirá?

Nas manhãs de sussurro, acordo com dúvidas e com certezas, acordo com uma mistura de sentimentos que não podem mais serem varridos para debaixo do tapete. Num mundo onde tantos têm sonhos lúcidos, palpáveis e cheios de enredo, cores, movimento; eu acordo apenas com sussurros frágeis como fumaça de incenso. E o corpo que queima por um reconhecimento de algo que não sei nomear.

Ontem antes do sussurro de hoje, sentei e meditei. Quantos anos não faço isso? Foi diferente, foi poderoso e foi rápido. Estou só como nunca estive antes e essa solidão não me dói. Ela me abraça. O sussurro pede, eu faço.

Talvez seja bobo da minha parte, mas eu só gostaria de saber: o que é e de onde vem esse sussurro e por que comigo é assim.....


Abraço o sussurro. Abraço a mim. Abraço o que não conheço. É isso o que eu tenho. Aceito.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Quando Ela fala



Essa noite eu tive um sonho curioso e não é a primeira vez que ele aparece para mim. Sei que esse sonho veio por conta de questões que estão martelando na minha cabeça desde o ano passado e que resolvi encarar mesmo temendo. Sei que esse sonho veio por conta das minhas jogas de tarot para mim mesma e do tanto que as cartas tem batido nessa tecla. Mas sei também que, essa é a forma que os meus eus ( que tenho buscado) tem encontrado de me alertarem de coisas.

Sonhei que Aset (Ísis,a Deusa) estava me ensinando a maquiar os olhos. Eu já nem sei quantas vezes já sonhei com isso! Dessa vez Ela era tão enfática que nem dava pra argumentar. Ela abria minha pouca maquiagem e me ensinava como fazer uma coisa rápida nos olhos e ainda pergunta o motivo de eu não fazer isso diariamente já que não tomava tanto tempo. Ora, assim como Ela eu sou rainha e mãe, fora a vida bruxa, então por que não? Contando assim é até engraçado, mas o tom dela é irrefutável!

E com isso eu fico pensando no que fazer comigo mesma. Tem tanta providencia física para eu tomar que nem sei por onde começar. Preciso trazer para o corpo o ritmo das minhas mudanças internas mas, confesso que a minha vida está tão burocrática com o final da UFES que não está sobrando muito tempo. Eu não sou multitarefa, não sou o tipo de pessoa que consegue fazer mil coisas no dia e dormir feliz 4 horas por noite. Talvez na próxima vida, nessa não deu para ser assim! Uma coisa é certa: preciso me cuidar mais e principalmente da minha saúde pois corpo e mente precisam estar em sintonia.

Outra coisa que o sonho me despertou foi a recordação do Oráculo de Aset desse ano: “A vocês é dado o Agora. O que vocês fazem do Agora está em suas mãos fazer. Façam-no, então, plenamente e com todo o amor que possuem."


Uma coisa é certa: assim que eu assinar o papel da colação de grau, tudo me será devidamente cobrado, pois a licença chega ao seu fim. Espero ter firmeza para me manter em pé.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Tudo passa

Perdão sempre foi um osso duro de roer pra mim.  Eu sempre tive regras muito rígidas sobre esse assunto, aliás eu sempre tive regras rígidas sobre muita coisa. Muitas das minhas regras rígidas começaram a ser maláveis como água ou irem ao chão e morrerem. Acho que amadurecer é isso. Não posso deixar de frisar que esse passo na minha vida ganhou um catalisador muito importante com o aprendizado que obtive com a moça do blog Elemento Chão.

Bom, nesse meu hiato e nesse meu aprendizado mágico, a minha centralização em mim mesma foi tão grande e intensa, que simplesmente esqueci determinados rancores. Através da nomeação de cada um dos meus monstros, pude perceber que a maioria já era velha, caquética e insistia em me consumir sem eu mesmo saber mais o motivo. O tempo é sim o melhor dos remédios e a coragem a melhor as companhias.

Percebi que posso duas coisas: colocar pontos finais e dar chances mesmo que não as receba
 E sem me magoar no trajeto. No decorrer do texto espero dar os melhores exemplos dessa minha postura.

Concomitante a essas descobertas e à minha maternidade, abracei suavemente o feminismo e com isso, o entendimento da palavra abuso teve grande importância para mim. Percebi que eu estava dentro de uma relação abusiva de amizade. Pode isso? PODE e como pode!!! Temos a romântica idéia de amigos são como irmos que escolhemos e todo aquele discurso bonito que cerca o assunto.Será que isso mesmo? Bom,pra mim não é bem assim e comecei a separar as relações de amizade e fraternidade cada qual no seu respectivo quadrado e sem desmerecer nenhuma. Até pelo fato de que toda amiga que se colocou um dia no lugar de irmã,acabou não dando certo. Comigo isso não funciona muito bem até talvez, pelo meu não bom relacionamento com minha irmã. Mas, a gente se ilude e ok. A gente se permite um bando de coisas que não gostaria pois , com óculos cor de rosa de afeto, não percebemos que por trás de um bem querer, existe aquele costume estranho da pessoa querer nos mudar para quilo que ela acha correto e que obviamente, nos fará bem. E o tempo passa , sentimos um incômodo e obviamente, o errado somos nós. Mas aquele sexto sentido tenta nos dizer: mulher,tem algo errado nessa amizade aí,acorda!”O incômodo passa para desconforto, mas ainda achamos que somos nós o errado na equação. Aí chega aquele momento que muitas amizades passam: o conflito severo, o erro, o engano, o vacilo, aquele passo errado achando que está certo. Ás vezes é importante para um e nem é tanto assim para o outro, cria-se a oportunidade de botar as cartas na mesa e ver o que está acontecendo. E a amizade acabou ali.

E foi assim que perdi uma amizade que julguei grande e absoluta.E certamente a reciproca é verdadeira. Um erro que cometi,não nego, mas que julguei ser o certo a fazer. E no fim,aquilo que me impossível e perdoar: tentativa vil de tentarem me humilhar. Jamais direi que não errei, Todos os deuses me são testemunha. Porém, jamais permitirei que me humilhem de caso pensando. Sim, foi caso pensando e palavras muito bem escolhidas. Acabava ali, toda e qualquer laço afetivo entre as partes. E acabava ali a última gota cor de rosa da minha visão e pude, com o passar do tempo,perceber que existia sim uma amizade,mas em paralelo existia uma vontade bondosa, de me fazer de mudar, de me fazer ser mais, de elevar ao máximo o meu potencial. Coisa à beira do absurdo como: não durma de pijama de bichinhos, pois seu marido casou com uma mulher adulta. Sim, senhoras e senhores, eu ouvi isso. E não, senhoras e senhores, e não segui esse belo conselho. Quando a última ficha cai,segue-se um sentimento muito esquisito e eu acho sim, que era  abuso.

Amizade tem que ser leve.


Outro caso, esse mais feliz para mim (pq eu só sei do meu mundo), é o que envolve  perdoar, esquecer,aceitar o próprio erro e se me chamar para tomar cerveja eu vou. Esse sentimento é o que mais me surpreende e mais me dá orgulho de mim. É exatamente isso: se me chamar para conversar eu vou. Mas por quê? Virei cristã e estou dando a outra face? Não. A explicação é: não se toma banho no mesmo rio duas vezes. Clichê,né? Sim, claro que sim! A vida é feita de clichês! Obviamente não vai rolar essa cerveja, pois existe outra pessoa envolvida além de mim(amizade é feita de duas pessoas,certo?). Esse sentimento meu, de não me importar com o que passou, não remoer e não  - complete aqui com qq coisa ruim -  me é tão precioso que não me importaria mesmo em sentar e conversar aquelas coisas de outrora e sem medo nenhum.

Sou da filosofia que ninguém precisar ser THE BFF ou amigo de infância. Acho que com 40 anos ninguém nem tem mais tempo para isso, além de ser meio chato. Eu adquiri um pensando sobre amizade que quero um dia compartilhar por aqui.

Ah,vc deve estar se perguntando: a reciproca é verdadeira?? A resposta é: não sei. Na verdade eu até acho que não. E sinceramente, eu quero curtir mesmo essa minha vibe boa e de coração leve, sem criar expectativas que não dependem de mim.


O que importa de verdade é que com esses meus novos posicionamentos perante a vida, novos amigos foram chegando no caminho e eu já não tenho mais aquele pensamento de que devemos viver juntos  até o fim da vida. Eu quero mesmo é acolher o que o caminho me traz. 

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Uma história nunca antes contada


E talvez essa seja a última vez que conto essa história..


Acabei com tudo
Escapei com vida
Tive as roupas e os sonhos
Rasgados na minha saída
Mas saí ferido
Sufocando meu gemido
Fui o alvo perfeito
Muitas vezes no peito atingido

Minha família é meio nômade por conta do meu pai que insistia em seguir sonhos alheios. Por conta disso, já moramos em alguns lugares e eu me considero de coração, mineira. Há 19 anos nós moramos no Espírito Santo e é a partir de nossa chega que essa história começa.

Eu tinha uns 20 anos e não queria vir. Jovem, maturidade zero, sem emprego e sem perspectiva de nada, vim para cá no cabresto da família. Obviamente estava revoltada, contrariada, não ouvida, ignorada. Hoje eu entendo a ignorância da família e essa parte já não me dói mais. Mas naqueles dias,tudo em mim era raiva e desgosto. Um animal ferido que não era ouvido em sua dor.

Animal arisco domesticado esquece o risco...

Não foram dias difíceis,foram anos difíceis. Hoje entendo que provavelmente a minha anestesia da vida,era uma depressão. Na época me virei como pude,sem dinheiro,sem eira nem beira, nãi tinha como ir a terapeutas,aliás,eu nem sabia o que era isso. Mas,vou tentar resumir a história e chegar ao que importa.

Quase todos os dias depois do trabalho,  eu ia à beira da praia chorar e me lamentar pelo meu triste destino. A mágia corrói o coração e a alma, tornamos verbo os sentimentos mais vis que um ser humano pode se  permitir ter.Mas, o que eu sabia naqueles dias? A solidão cobre com nuvens negras toda e qualquer possibilidade de luz e não enxergamos mais nada além da dor. Foram tempos tenebrosos.

O tempo passou e eu sobrevivi,como sempre sobrevivo.

Eu sei quanta tristeza eu tive mas, mesmo assim se vive...

Bons amigos vieram,bons amigos se foram. Conheci a  bruxaria e com ele um grupo de amigos que sem saber, trouxeram a luz de volta aos meus olhos. A vida seguiu novos rumos foram tomados. Maus amores vieram,bons amores chegaram. Casei e tive um filho.

Ter um filho me rasgou para o mundo, para o novo. É clichê, eu sei mas, foi o que se deu comigo.

Conheci boas pessoas que praticavam silenciosamente a Bruxaria Tradicional (sim,existe. Não,não tem blogs). Gente fora da mídia,fora de grupos, fora de holofotes ,com quem aprendi uma nova perspectiva da velha arte e entendi quem sou eu no antigo caminho.E foi nesse momento que minha ficha caiu sobre um erro muito grande.

Durante esse processo, certa tarde, fui a um círculo feminino e conheci uma mulher que também era forasteira e que contou coisas que me marcaram muito. Coisas sobre ser estrangeira num lugar não muito receptivo e o porquê sofremos com isso. Ela era praticamente de xamanismo há muitos anos e nos ensinou coisas simples e importantes sobre como agradecer até mesmo aquilo que nos dói. Estava enfim, montado o meu quebra cabeça emocional .

A primeira honraria que um praticante de bruxaria deve ter é pelo chão que pisa e que o alimenta. E o que eu fiz desde que cheguei aqui? Cuspi no prato que me alimenta e que aliás, me deu o amor da minha vida  e um filho! Fui ingrata. E percebi o quanto de atitudes de ingratidão eu estava perpetuando no meu cotidiano e não me dava conta. O primeiro sentimento que tive foi o de extrema vergonha, sentimento que aliás, odeio. Quis sair correndo batendo de casa em casa para pedir desculpas para as pessoas que atingi com meu comportamento ingrato. Não vou mentir, tenho um orgulho imenso e ter vergonha de algo que fiz me é bem humilhante. Porém, chega um momento que a gente engole seco e assume. Era eu comigo mesma, não tinha porque ter vergonha de mim! Precisava ter humildade suficiente para me perdoar, não cabia naquele momento ficar me culpando por uma situação que se arrastava por tempo demais. Precisava me livrar do peso!

Eu andei demais Não olhei pra trás Era solto em meus passos Bicho livre, sem rumo, sem laços

Decisão tomada: precisava pedir perdão formalmente para essa terra e reconhecer o quão generosa ela foi comigo mesmo sem eu merecer. Contei para uma amiga e carinhosamente recebi um ritual tradicional para honrar e pedir perdão ao solo que piso ( a bruxa mais incrível que já conheci até hoje) e não o fiz de imediato. Precisava amadurecer a ideia e o que eu queria. Faltava alguma coisa e eu não sabia o que era. O tempo passou, mas não mais esqueci.

Perto do meu aniversário de 40 anos, fui com minha pequena família à praia. Uns dez minutos depois de nossa chegada, ainda andando para encontrar um lugar bacana para ficar, o meu pé bateu num pedra. Gosto de recolher coisas da praia para colocar no altar da casa e pensei que era só mais uma pedra do mar. Para meu espanto não era uma pedra comum, era a boa e velha pedra furada. Há quanto tempo eu buscava uma pedra furada? Anos! E naquela manhã ela se jogou para mim. Para quem não sabe a pedra furada é um objeto importante para alguns caminhos mágicos e eu sempre quis ter uma. Aquilo me encantou de tal maneira que considero esse dia um dos mais felizes da minha vida. Senti que fui honrada com um belo presente do mar e dos seres que ali habitam e isso mexeu muito comigo.

Alguma coisa estava inquieta em mim e me separei das brincadeiras do marido e do filho, para me isolar sentada numa pedra.

Abra a sua mente e escute. Abra seu coração e sinta – dizia a voz do mar. Eu não sou sensitiva (detesto essa palavra, mas foi a melhor que encontrei), porém naquele dia, tive a percepção do outro lado muito clara, muito palpável e segui o fluxo. Precisava ouvir o que ouvi, ver o que vi, sentir o que senti para pode acreditar em mim e seguir adiante. E na simplicidade de não ter nada nas mãos fiz meu ritual, reconheci a força do mar, honrei a força mais antiga e poderosa de todo esse planeta azul. Eu que não sou feita de mar, fui recebida por ele e pela Senhora Iemanjá. Foi terrível deixar a mente condicionada de lado e receber a força das águas. Na minha mente eu bradava palavras, gesticulava poderosamente e forças se levantavam e segundo o marido, eu estava o tempo todo sentada olhando fixamente o mar. Foi simples, foi bonito e foi libertador. Quando voltei à realidade, peguei todas as coisas bonitas encontradas na praia e levei para casa. Montei um altar para Ela e aceitei a sua presença na nossa casa. Continuo não sendo do mar , não sou filha Dela, mas é minha obrigação honrar a força que move o mundo inteiro.

E ali, na beira do mar, “aprendi a perdoar e a pedir perdão”. A partir desse momento a minha vida tem um brilho diferente, ressignifiquei muitas coisas, assumi meu poder de transformação. Eu havia renascido magicamente.

Me senti sozinho Tropeçando em meu caminho À procura de abrigo Uma ajuda, um lugar, um amigo

Quando completei 40 anos, fiz um ritual de fala e escuta na praia com o máximo de mulheres importantes na minha vida e que consegui juntar. Sentei e ouvi.Eu precisava saber quem eu sou através dos olhos de outras pessoas. Ali,mais uma vez no mar,selei meu caminho. Mas essa é uma conversa para outro momento.



Esse post foi escrito ao som de Fera Ferida na voz de Maria Bethânia.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Um momento de paz*



Lua Nova – Janeiro 2018
Sinto uma vibração percorrendo meu corpo físico e não físico, como se eu estivesse conectada às pessoas que mais quero bem nessa encarnação .Recebo notícias boas, pessoas se desprendendo, rasgando as amarras, voltando a ver o dia amanhecer mais uma vez. É uma vibração boa, saber que caminho sozinha sim mas,não sou só no universo. Até então, senti essa coisa de pertencimento de maneira falsa, achava que pertencia mas não era bem assim. Na verdade eu queria me adequar. E quem nunca quis, certo?

É... o tempo passou... 


Sinto uma vibração percorrendo meu corpo físico e não físico e lembro que eu já estive no lugar escuro onde muito dos meus estão saindo apenas agora. O casulo da mariposa não é tão celebrado como o das borboletas.A mariposa é escura, temida,amaldiçoada. E eu gosto muito de mariposas. Ninguém olha para o casulo da mariposa, ninguém olha para os que estão mergulhados na sua transformação dolorida na escuridão.

Eu olho o casulo dos meus e aguardo em silêncio. Mesmo que eles não me vejam. Mesmo que eles não me tenham mais em alta estima.

 Eu já estive lá e estive no casulo, carregando um filho nas tetas durante o percurso.
Acredito que devido a um grande hiato na vida, após a maternidade, onde desci ao mais profundo do abismo, sem tristeza, sem alegria, um momento escuro sem ser tenebroso, um momento de cura de feridas antigas; eu consegui entender que caminhar sozinha não é ser só. Divergir não é ter inimizades, pre-ci-sar ser só, não é fracasso.

Tantas coisas se deram durante esse processo, tantas descobertas. Quero escrever aqui o produto dessa destilação. Preciso.

 QUEM SOU EU E O QUE EU QUERO?

Falar que eu sei a resposta seria muita cara de pau da minha parte! Mas eu sei o que eu não sou ,o que não gosto e o que não quero. E isso é um bom pedaço de caminho andado.

Agora respiro fundo e repenso esse canto de escrita que sempre me foi tão importante. Sair do silêncio e me expor mais uma vez? Percebo que não tenho problemas com exposição e sei dar limites ao que é exposto. Será que tenho algo a  dizer num mundo atolado de informações?

Por favor, entre aqui sem criar expectativas, sem esperar uma escrita new age espiritual. O meu espírito é incrivelmente perturbado para ser leve como uma fada. O meu espírito é feroz e é com essa ferocidade, é com essa fome, que eu recomeço a escrever.

Estou de volta em busca da Alma Rubra.






terça-feira, 23 de junho de 2015

Quem tem medo de mudar?



Uma das melhores coisas do mundo é sentir orgulho de si.

Há um tempo penso em mudar pequenas coisas na minha. Pequenas pequeninas mas que fazem uma diferencial gigantesco. Eu mudei meus cabelos. Lembram que eu curtia o meu grisalho e não os pintava ( texto aqui)? O tempo passou e senti necessidade de pintá-los,mas de uma cor que me representasse.Uma amiga pintava o dela de multicores e resolveu me ajudar no primeiro passo. Lá se vão 2 anos e hoje meu cabelo está metade magenta,metade azul. Com isso tive que redobrar os cuidados. Amo meu cabelo, sempre amei e tive a triste constatação que ao contrario do que imaginava,eu não sabia cuidá-los da maneira certa.

E com isso conheci o Low Poo. Mas o que é isso? Resumindo,bem resumidinho,é uma maneira de você cuidar dos cabelos usando produtos com agentes pouco ou nada agressivos.  Você pode ler mais sobre isso aqui (clica,vale a pena!). E junto a isso me lembrei do pouco quase nada que sei sobre Ayurveda que diz que só use no corpo aqui que você pode comer. Azeite extra virgem, óleo de coco, gelatina sem sabor, me, leite,babosa,óleo de girassol puro e muitas outras coisas e por um custo super baixo. Resultado: cabelo bonito ,tratado e sem o gasto faraônico e inútil dos salões de “beleza” (que eu odeio!). Ah e tem grupos no Facebook sobre esse assunto, amor puro!

Outra decisão tomada foi  parar de tirar a cutícula das unhas. Você sabia que isso só faz abrir portas para fungos?Pois é,eu achava que isso era besteira. Até que um dia fiquei incomodada de minhas unhas estarem sempre feias por mais que eu cuidasse delas semanalmente. Foi a libertação. Ok,ainda não cheguei no objetivo (que é tirar aquelas fotos divas tipo Instagram! Ho ho ho ) mas,já estou no caminho.Esse desafio está mais complicado do que o shampoo,pois quando percebo ...já enfiei demais o alicate na pobre cutícula! Estou atenta e começando a obter resultados iniciais. Se você se interessou leia aqui.

E por último a mais recente conquista: parar de usar desodorante industrializado. Substituí há 15 dias o desodorante por leite de magnésia (sim,esse mesmo da embalagem azul e de gosto horroroso!!). De início fiquei meio cismada porque eu não suava nadinha.Ok,não tenho alta sudorese. Só posso dizer que o resultado é ótimo e esse produto  é realmente indicado para substituição de desodorante industrializado,havendo muitas e  boas pesquisas sobre.

Resolvi escrever esse texto para servir de incentivo para os resistentes à mudanças de pequenos paradigmas. Um passo de cada vez ,uma mudança por vez,só seguir adiante quando os pés estiverem firmes no chão. Devo ressaltar também a surpresa de uma coisa que eu há muito não sentia: camaradagem. Muitas,mas muitas pessoas lindas e gentis ajudaram/ajudam quem resolve sair da Matrix e eu me sinto muito grata por essa vibe boa e gentil. Mas esse é outro assunto!

Se precisarem  de ajuda,deixem um comentário aqui ou no Facebook J



sexta-feira, 27 de março de 2015

Entrego,confio,aceito,agradeço



O tempo é o senhor de tudo , minha mãe sempre diz.

Por muito,muito tempo mesmo,desde que li o Milionésimo Circulo,desde que círculos de mulheres não estavam na moda enfim, eu ansiei participar de uma irmandade feminina. Ansiei,desejei,procurei,encontrei,perdi.O tempo passou e eu guardei numa gaveta essa minha vontade.

A vida seguiu.

No final do ano passado entrei para um grupo via Facebook e percebi que essa ideia cresceu muito nos últimos anos que pessoas aqui da minha localidade estavam na mesma busca. Como esperado, essas pessoas se encontram e eu fui junto. Naquela manhã eu sabia que algo bacana estava acontecendo e ao mesmo tempo sabia que algo não estava se encaixando no quadro. Observei, assimilei e guardei,aliás esse é um hábito que tenho praticado muito.Eu estava como uma observadora oculta do quadro,olhando a felicidade alheia,percebendo sintomas,esperanças,medos e não sabia qual daqueles sentimentos eram os meus. Segui. O grupo se tornou forte, mesmo não se desencontrando por motivos diversos .

Agora em março, ano novo celeste,meditei e conclui que o meu tempo de circulo feminino já passou e admitir isso será uma boa maneira de começar o ano. De tanto esperar a coisa  deixou de ser imprescindível na minha vida. De tanto esperar algo in loco,percebi que fortaleci vínculos com mulheres fora daqui e a(s) cura(s) que precisei/preciso obtive. Ok,posso ofertar algo.Sim,posso. Devo? Não. Por que? Porque agora não é o meu momento. Um dia quem sabe? É,um dia quem sabe? Não fecho essa porta.Eu sei que o ciclo vai voltar a esse ponto e eu farei o que precisa ser feito. Até lá,olho para outro ponto do caminho e sigo.Entendi o que senti naquela manhã de encontro: eu não pertenço.

O que me alegra é ver um caminho se tornando real aqui em  solo capixaba.É saber que existem mulheres que estão concretizando algo bonito em cima de seus anseios.É saber que aquele tempo de marasmo espiritosantense , chegou ao fim! E o melhor é me regozijar em ter atingido um nível de desprendimento de uma ideia/sentimento que eu jamais pensei que conseguiria.
E eu me sinto velha. Não a velha destituída  de seu poder no mundo patriarcal.Mas a velha sábia, a que já percorreu muitos caminhos e se senta para saborear seu cachimbo e observar. Isso me tem feito muito bem!!

Entrego,confio,aceito,agradeço. Eu nunca entendia essas 4 palavras juntas.


Agora entendi.Pelo menos nesse episódio da minha existência.

quinta-feira, 5 de março de 2015

A Lua Cheia da Gratidão


Há algum tempo eu elegi a Lua Cheia para uma única coisa: gratidão.

Tanta coisa boa acontece no decorrer de um ciclo lunar,são tantos aprendizados e afeto recebido que eu apenas fecho os olhos ,lembro de rostos,de palavras,de afagos e agradeço. Com a turbulência de um filhos,aqueles momentos lânguidos de rituais estão suspenso mas,nem por isso me desconecto completamente.Aprendi à duras penas,a aceitar que meu momento é esse e é o que dá pra fazer.

E fluiu. Sem velas,sem círculos,sem orações,sem chamados.Só o silêncio e a gratidão.E tem dado certo.

Agradecer pela minha lucidez em aceitar o que antes seria inaceitável.

Agradecer por  pessoas bacanas que no real ou no virtual,sempre me ensinam algo e me fazem mudar o foco e enxergar ângulos novos.

Agradecer a aceitação .

Agradecer o medo vencido com louvor (essa foi a vitória do mês,talvez do ano inteiro!!).

Agradecer que no final, tudo acaba se encaixando.


Obrigada Universo!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Das pedras



Até pouco tempo qdo via pessoas q admiro profundamente, não comprarem brigas,discussões,debates ou abraçar causas; eu me indignava por dentro,não entendendo como essas pessoas conseguiam passar pelo mundo sem se indignar ou explodir, afinal  o mundo tá de cabeça pra baixo. Um dia,uma bruxa da velha guarda disse q as vezes as coisas estão no lugar q elas realmente tem de estar,mesmo q a gente não concorde. Naquele momento eu me indignei mais ainda. Como assim as coisas estão no lugar que tem q estar?

Hoje ruminando na minha cabritice,lembrando de alguns ocorridos recentes onde me tacaram pedras ,me julgaram sem saber dos meus valores perante a vida;dizendo q eu tenho q isso e aquilo pq isso e aquilo é O Certo; me lembrei da fala da minha amiga e encaixei na vida da minha cachorra velha: Eu tenho uma cachorra bem velha e 4 cachorros beeem mais novos que ela. Eles latem para qualquer papel que passa voando na rua o dia inteiro,nós nem ligamos.Mas qdo a cachorra velha resolve sair do seu torpor e preguiça e se dá ao trabalho de latir,nós prontamente vamos ver o que é,pois sabemos que é coisa seria.E se ela realmente além de latir,se levantar do seu posto... aí meus amigos,é coisa séria mesmo!!  Penso que ela já cansada,com dores e dominada pela preguiça, deixa o trabalho básico e corriqueiro (mas necessário!!) para geração nova que tem q aprender com o tempo a separar o joio do trigo.

Começo a pensar nas coisas q realmente valem a  pena me fazer desembainhar a espada.E começo a perceber q sim,por mais torto q seja,algumas coisas estão onde deveriam estar,pq sempre há filhotes q precisam aprender a guardar o seu espaço .