terça-feira, 21 de outubro de 2008

A Deusa vive em cada mulher


A verdadeira história de como chegou a ser, como Ela desapareceu e como regressou


Autora: S. Susun Weed

Tradução: Iony Ming

Revisão: Inês Raven


No principio, tudo começou como sempre ocorre, com o nascimento. A Grande Mãe de Todos deu à luz e a Terra começou a respirar. Uma vez mais e uma vez mais e uma vez mais, a Grande Mãe deu à luz. E as plantas começaram a respirar e os animais começaram a respirar e os de duas patas também começaram a respirar. Todas as formas de vida começaram a respirar para viver. No ar, na terra, na água, e também os profundos incêndios onde a luz nunca brilha. Todas as formas de vida começaram a respirar. E todos estavam muito famintos.


O que vamos comer? Perguntaram à Grande Mãe.Vocês podem me comer. Ela disse com um sorriso.


E o fizeram. Eles se alimentaram de seu corpo. As plantas enviaram suas raízes até embaixo da terra e comiam Sua carne e Seus ossos, bebiam seu sangue claro dos seus profundos mananciais onde fluem suas águas. E cresceram fortes. As gramíneas se multiplicaram pelo vento, as raízes cresceram a tomaram as profundezas. E, em todas as partes, há diversas formas de folhas, flores de muitas cores, frutas e tudo é maravilhoso de se ver.


Os animais A comeram, mas não como as plantas com suas raízes o fizeram. Não podiam enviar suas raízes para Ela. Então, alguns animais se alimentaram dos pastos que cresciam da Mãe. Alguns dos de duas patas comiam as sementes das gramíneas, as raízes e as folhas das plantas. Comiam, comiam, comiam. E começaram a dar à luz também. Rapidamente havia muito mais bocas para comer da Mãe. Havia muitos pés para revolver o pó vermelho da Mãe, muitas bocas para louvar Sua abundância e muitas bocas para alimentar.


Eu sou você e você está comigo. Estou aqui para que você possa comer. Agora me comam, comam tudo de mim – ela ensinou a eles. E alguns dos animais comeram da Sua carne e seus ossos em forma de outros animais. E seu sangue se converteu em vermelho. E vermelho era o sangue que fluía nos órgãos dos animais e no corpo dos que comiam os animais que se alimentavam das plantas que comiam Dela. E a Grande Mãe estava bem satisfeita.


Assim esse sangue fluía pelos órgãos dos de duas pernas e eles cantavam a interminável sabedoria da Grande Mãe, a interminável dança da Lua e a interminável espiral de nascimento-vida-morte-vida. E as que eram redondas e plenas como a Mãe sentiram o sangue agitando-se em seus ventres. Uma onda de sangue se escorreu de seus ventres e ficaram cheias de assombro. E perguntaram à Mãe: O que faremos com esse sangue vermelho que se move com tanta força em nossos ventres, Mãe? E Ela respondeu: Dê a mim, retorne esse sangue para mim, para repor a mim mesma o teu sangue. E assim o fizeram.


Cada mês, quando a Lua escura crescia e desaparecia, o sangue começou a fluir por entre as pernas de algumas das de duas pernas. Dos úteros o sangue fluía: era vermelho, rico e nutritivo. O vermelho novamente fluía Nela e Ela dizia: Você está comigo e eu em você. Teu sangue é meu sangue. E meu sangue é teu sangue. Desde sempre e para sempre, nos nutrimos mutuamente. E se você quer manter sagrado o dia do teu sangramento, eu a ensinarei todos os segredos das plantas e dos animais, do céu e da terra. E a mulher manteve sagrado os dias de seus sangramentos e sabia que cresciam da forma como cresciam as plantas, tinham as formas dos animais, do céu e da terra.


E assim foi durante muitas, muitas voltas da terra em redor do Sol.


Até a mudança. Ninguém sabe como começou. Como um pequeno fogo, o primeiro momento parece inofensivo. As mulheres perceberam, mas pensaram que aquele mal não poderia chegar até eles. Violentar uma mulher não é o mesmo que violentar a própria terra? A Mãe? E quem seria tão estúpido para violentar a sua própria mãe? A fonte de alimento, o conforto e a força?


Sem impedimento, apareceram os estúpidos que, crescendo arrogantes, começaram a contar a historia de criação de um modo diferente. Começaram a acreditar que um homem deu a luz a Terra e aos seres humanos! Disseram que um homem é a fonte de todos os alimentos e sabedoria. Disseram que o homem é a imagem de Deus e que Ele era zeloso e tinha nojo de nós, que exigia a dor, o sangue e o desprezo pelos prazeres simples do corpo, da terra. Disseram que Ele vivia em cima, não dentro da terra; que vive no céu e está acima de todas as formas de vida. Disseram que os homens também estão acima de todas as formas de vida da terra.


Ah, como eram estúpidas suas histórias! Sem duvida ninguém pode acreditar em tais histórias! Certamente, todo mundo pode ver claramente que a mulher é a fonte de vida e alimento. Sem dúvida é evidente que a mulher é o sangue da vida e da terra e da geração. Que o prazer do corpo é sagrado e bom. Que a terra está viva e é nossa verdadeira Mãe, devendo ser respeitada. Somos parte Dela e dependemos dela até para respirar.


Mas, como um pequeno fogo se espalha quando o vento está soprando, a estranha história de Deus e do homem como criador cresceu e se multiplicou. O pequeno fogo do engano rapidamente se converteu numa tormenta que ameaçava toda a vida. Os homens começaram a dizer que o sangue da mulher é ruim, que as mulheres e seu sangue da Lua eram sujos e perigosos. Que a Terra era suja e perigosa. Começaram a pensar em si como apartes da Terra, como sendo melhores que a Terra, assim como sendo apartes da mulher e melhores do que elas, como seus comandantes.


As mulheres fizeram o seu melhor esforço para manter os dias sagrados de seu sangue. Fizeram o melhor para ensinar suas filhas como aprender com as plantas, os animais e a Terra. E fizeram o seu melhor para serem fiéis aos seus mistérios de Lua e de sabedoria da Grande Mãe. Mas os homens se perderam. Sem a sabedoria da mulher, sozinha e à parte, os homens se esqueceram das formas de paz. Se esqueceram que a Terra é sua mãe e que todas as mulheres são sagradas. E começaram a lutar. Num primeiro momento, lutaram somente entre si, mas logo propagaram a doença e começaram a lutar contra as mulheres. Começaram a torturar as mulheres e a matá-las. Deram à mulher a dor e ao homem o prazer. Queimaram a mulher na fogueira para impedir qualquer uma de usar as formas de cura por meio das plantas. Queimadas até a morte, para que não sobrasse um pedaço sequer de sua carne, pois elas os assustavam. O poder entre as pernas parecia incontrolável. Então, de tanto dizer, uma e outra vez, elas começaram a crer que aquilo estava certo, que ela não era sagrada e que não foi feita a imagem do Deus.


Eles disseram que as mulheres são sim seres inferiores, que os animais são inferiores e as plantas também. Logo começaram a idealizar formas de usar a mulher e os animais sem respeito a seus poderes e ao seu caráter sagrado. Começaram a crer que sua visão de mundo era a única. De um lado a outro, a mulher era maltratada, junto com plantas e animais. Eles os usaram sem os ter em consideração, omitindo os gritos de dor. Confundiram algumas mulheres de maneira tão terrível que essas começaram a crer que, na verdade, eram sujas e precisavam de castigo. Torturaram-nas com a finalidade de mostrar que sua sabedoria era uma mentira.


Mas a Grande Mãe vive em cada mulher. E em cada lugar, a cada época, a Grande Mãe se mostra a si mesma na vida de cada mulher. Coma, Ela sussurra nos sonhos da mulher. E a mulher se joga para fora da cama e se põe a caminhar descalça sob a luz da Lua. É o anseio. Ela sente uma profunda agitação em seu ventre. Ela olha para a Lua e fantasia que hoje ela lhe fala. Vocês sãos agradas. Você é o princípio e o final de toda a existência. Sou você e você está comigo. Mantenha os dias sagrados do seu sangramento e eu vou compartilhar a sabedoria das plantas dos animais e da própria Terra.


Pode acreditar que isso é certo? Atrevem-se a crer na verdade das palavras que ela parece escutar? Durante toda a sua vida, lhe disseram que não era o suficiente, nem bastante inteligente e nem suficientemente forte. Todos parecem dizer que ela é demasiadamente redonda, emocional e demasiado sensível. Que não era sagrada, que era o oposto do sagrado. Todos os dias de sua vida ela escutou as maravilhas de ser homem, criador. Ela escutou tantas vezes que a verdade é uma: Deus é um homem, todo poderoso, porque todos os homens são poderosos (e as mulheres são débeis). Deus é limpo e todos os homens estão limpos (e as mulheres são sujas). Deus é puro e todos os homens são puros (e a mulher é sujeira). Deus nunca sangra entre suas pernas (é por isso que o sangue da mulher é uma doença, uma maldição, um castigo). Como ela pode acreditar que seu sangue é sagrado? Como se pode permitir que ela sinta prazer e tenha um nome santo?Como ela pode se atrever a crer quem é uma Deusa?


Sim, a Deusa! A Deusa que está viva em cada mulher, em cada lugar, em cada momento. A Deusa que sussurra em nossos sonhos, que sorri em nossos sonhos. Que desperta o sangue de nossos ventres. A Deusa que sabe que cada mulher é sábia, poderosa e sagrada. A Deusa que nos pede: guarde o dia de seu sangue sagrado, recorde que seu sangue é o sangue da vida e da paz. Da-me de comer o seu sangue, o tempo da sua Lua de sangue. Oh minha filha, minha amante!


Volte para mim, volte para si mesma. Recorde-se de ti. Recorde-se de mim. Eu sou a Grande Mãe. Eu sou a Deusa. Eu sou a Mulher Sábia. Escuta as minhas palavras e a minha canção. Eu estou em você. Minha historia é a tua historia, a verdadeira história do nascimento, da vida e da morte. Coma de mim. Você é mulher por mim, conduzida por mim, que existo através de você. Somos as que criam. Somos as que alimentam. Somos as que abrem as portam entre os mundos.


Ah irmã, querida irmã, os laços são estreitos, a canção é apenas perceptível. Diga-me que não é tarde demais. Diga-me que me ouves e que crê em mim. Diga-me que a deusa regressou. Diga-me que está ouvindo as plantas e os animais e o seu profundo saber. Diga-me que sente revolver o sangue em teu ventre.


Diga-me que não é tarde demais. Diga-me que as irmãs estão despertando. Diga-me que o caminho da Lua está reconstruído. Diga-me que as palavras de White Búfalo Calf Woman (Mulher Búfalo Branco) não foram em vão. Diga-me que Kwan Yin do coração não está rompendo. Diga-me que Vênus é segura. E que Ártemis vaga livre na floresta, e que Lilith é bem vinda à sua mesa. Diga-me que se recorda de que o prazer é santo para mim. Diga-me que não há deleite na dor.


Diga-me que sinto chegar à tua essência profunda no tempo fora da mente. Diga-me que sente que eu despertei em você, em beleza e poder. Diga-me que vocês reclamam a sua verdade, não se omitindo com mentiras. Diga-me que recordas que é a Deusa, e que você eu somos a mesma. Diga-me que honras os teus ciclos.


Eu estou com você desde o começo, e estarei com você ate o final. Sou parte de você e você é parte de mim. Permita-me que te ame. Permita-se em honra a você. Permita-me regressar ao teu Lar.


Susun Weed é uma bruxa verde e é uma mulher sábia. É a voz da Woman Wise Way , alta sacerdotisa Diânica e escreve sobre a saúde da mulher e sua espiritualidade.

3 comentários:

Green Womyn disse...

Bom, eu já disse que é lindo, né?

Sabrina Alves disse...

Florildaaaaaaaaaaa...tá tudo lindo demais por aqui....forte e claro!!!
adoreiiii
e vamu q vamu...movimentar essa energia aee...ehehheheh
besitos rubrissimosssssssssss
meus!!!!

Nana Odara disse...

Vou ter de blogarisso, com ou sem autorização...rs...
Beijinhos de Baunilha...