terça-feira, 9 de março de 2010

Reflexões sobre o 8 de Março e a Blogagem Coletiva






Essa blogagem coletiva saiu de sopetão (como dizem os antigos), soltei a Idea do Twitter e as pessoas foram respondendo animadas, querendo participar, ajudar. Outras foram avisadas através de seus blogs e voilá,nasceu a blogagem coletiva. Claro que houveram piadinhas e lugares comuns do tipo “ não sei pra que isso” mas acho que a maioria aqui já sabe lidar com gente que quer nos calar, nos por pra baixo e menosprezar um dia de importância história e que simboliza dia de luta,de reflexão e de lembrança . Para esses tipo de pessoas só podemos lamentar e esperar que um dia perceba que o 8 de março não é o dia de receber flores como a maioria ainda quer fazer acreditar. E houve também posts poéticos, cheirosos, homenagens, homens dando o seu ponto de vista, posts indignados, convidativos à mais luta, posts de veneração à Grande Mãe de todos e tanta coisa bacana que a gente pode ver num clique na relação de participantes.


Sim, essa luta pode ser colocada como a luta de uma minoria, pq as mulheres ainda são minorias no mundo inteiro. E realmente como dizem os sociólogos, a minoria quer ser maioria. Mas ao contrario dos que os desinformados pensam, não quer dizer que a mulher quer tomar o poder para si. Muito pelo contrario, queremos participar e compartilhar. Isso quer dizer que essa luta diária feminina, nada mais é do que a luta pelo reconhecimento que fazemos parte do meio sócio-cultural-politico e econômico do mundo. Simples assim. Só que o poder geral, centrado no machismo patriarcal (redundante, NE?) nos permite igualdade em cargos, empregos e em voz. Ainda,infelizmente.

Não basta dizer que a mulher conquistou o mercado de trabalho, o direito de voto, a licença maternidade, etc. O que se quer é um dia ver igualdade de salários, de liberdade, de voz. É ilusão ocidental acharmos que está tudo bem, é esse tipo de posicionamento neoliberal que faz a mulher deste lado, achar que é uma privilegiada, que é livre, que pode respirar tranqüila. Achar isso faz pensar: “ Ai, num sei pra que tanta comoção como o dia da Mulher” e bla bla blas afins. Esse tipo de pensamento intelectualoide, de maioria classe média que acha que está por cima da carne seca, é o pensamento de quem conquistou um lugarzinho pra si ao sol e isso já está de bom tamanho.É o que eu temo a lioberdade de chamar de pensamento morno.O que precisamos lembrar não só hoje, mas todos os dias, é que fazemos parte de uma movimento social e que fazemos parte de questões relacionadas a gênero e pronto. Parar de fingir que está tudo bem!

Conquistamos muita coisa SIM, fosse o contrario essa blogagem não existiria e eu estaria no mínimo, presa! Mas, não podemos parar por aí. Existe um mundo que insistimos em não ver. Um mundo vermelho do sangue derramado pelas surras diárias que a mulher ainda recebe pelo simples fato de existir.Um mundo onde a mulher é execrada por ter tido tesão por alguém e etr feito com seu corpo o que bem entendeu. Um mundo onde a mulher negra, tatuada, lésbica, analfabeta, doméstica é considerada um nada, senão menos eu nada. Esse mundo existe e acorda conosco todas as manhãs. Se nós que temos uma vida relativamente boa, não fizermos nada por essas mulheres que sangram, quem o fará? Se temos uma relativa liberdade política, está na hora de usa-la .Nós da turma blogueira um dia teremos que sair as ruas também, e falar. Mas isso é assunto controverso que vamos deixar para outro dia.

O que importa é que escrevemos. Uns com mais entusiasmo e positividade que outros, uns com posicionamentos tão diverso ou tão poético ou tão polêmico ou tão cansado ou tão esperançoso... mas escrevemos. Tiramos 10 minutos do nosso dia para escrever um texto que sabe-se lá por quantas pessoas será lido. E mesmo que ninguém leia, podemos sentar e pensar: “eu tentei fazer a minha parte e vou continuar tentando. “

Essa blogagem não termina hoje. Espero eu que não termine até alcançarmos o objetivo para aí sim, celebrarmos com grande festa. Que cada um que escreveu aqui, multiplique seu esse selo e reflita/escreva por varias e varias vezes, para que o símbolo da luta indignada que perdura por 100 anos, não se esvaia .

E agora vamos gritar por todas as Maria,Joana, Fulana, doméstica, prostituta, médica, faxineira, advogada, professora, mãe, doceira, artesã, vagabunda, engenheira, estudante, artista, macumbeira, benzedeira, mãe,pastora, freira, recepcionista, guerreira,Célia, Daniele, Luciana, Inês, Juliana, Cleide, Mariana, Helena, Márcia, Ana, Patrícia, Carolina, Barbara, Samanta, Sabrina, sambista, catadora de papel, mendiga, enfermeira, autônoma, motorista, dentista, telefonista, designer, arquiteta, veterinária, ativista, escritora,jornalista, cigana, lésbica, negra, sindicalista, política, Deusa.

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