sábado, 7 de agosto de 2010

Dança

Há vários anos, viajando pelo Marrocos, fui assistir a duas apresentações de dança do ventre, na mesma noite. A primeira aconteceu num hotel americano, onde fora encontrar-me com alguns amigos. A publicidade destacava a figura esplendida da dançarina: usava um véu esvoaçante, bordado com perolas e era de fato bonita. Mexia-se pouco, mas com graça. Seus gestos eram próprios desse tipo de dança, mas talvez por causa do ar condicionado sobre seus cabelos louros oxigenados, tudo parecia insípido e enganador.Mais tarde, na praça publica da cidade velha, observei uma jovem berbere dançando. Era, com certeza, muito pobre e não tinha condição de ingressar na vida artística; sua figura era demasiado pesada e seus traços duros e imperfeitos. Embora usasse um vestido fechado até o pescoço, feito de algodão rústico, e sem qualquer cenário,ela mantinha o publico preso à magia de sua dança,graças aos movimentos bruscos de suas ancas, seus gritos ritmados, seu vigor e seus deliciosos olhos. Todos os seus músculos, todos os seus gestos, expressavam o que existe de mais sexual dentro de nós. Cada movimento originava-se em seu ventre, como se proviesse do âmago de si mesma. Nunca mais assisti a uma dança tão erótica.A primeira dançarina, embora bonita e graciosa,parecia imitar os movimentos do amor,mas não conseguia irradiar a energia de Afrodite.Foi só depois de ver a “verdadeira” dança do ventre que percebi que a primeira não passava de um pastiche.



Ginette Paris em Meditações Pagãs

4 comentários:

jefhcardoso disse...

O que se faz com paixão é contagiante.
Jefhcardoso do
http://jefhcardoso.blogspot.com

ESpeCiaLmente GaSPaS disse...

É sem duvida uma dança magnifica!

Grasi Felipe disse...

Saudades de dançar essas arte

Grasi Felipe disse...

Saudades de dançar essas arte