quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A Magia nossa de cada dia....

Ontem, lua cheia...um grande amigo se foi. Ele era facilitador de dançar circulares e membro ativo do movimento Tribos da paz aqui no ES. Nós que acompanhamos todo o caso de doença dele, já esperávamos o telefone tocar com a noticia. Quando meu amigo ligou, eu já sabia, óbvio.Mas doeu, doeu muito. Eu geralmente não me abalo com morte, mas dessa vez, eu cai. Eu olhei pra lua cheia e pensei qu uma epssoa tão especial só poderia ir pra outro plano numa noite linda daquela, onde a brisa estava suave, onde o ar estava magico. Aboli a intenção do meu ritual e dancei coma a alma, nos passos que ele ensinou. Foi a primeira vez que eu vi o Rui realmente triste indo pro canto dele fazer a coisa do jeito dele. Nos sentimos conectados com o grupo, mesmo que distantes (não poderiamos ir ao velorio pelo horario). Foi lindo.raramente eu me conecto com as pessoas, até hpje nõ vi muitos motivos para tal, sou muito dificil de me abrir. Mas ontem....como poderia ser diferente? Ontem eu relembrei os ensinamentos dele, não estivemos juntos as vezes que eu gostaria e deveria, mas as coisas são como são e eu relembrei o significado da paz, do amor, do estar junto, do deixar fluir, do deixar ir e do se estar consigo de maneira plena e verdadeira. Ele era um cara bom, que tinha atingido um grau de luz que jamais vi aqui.Dormi e sonhei. Sonhei que estava na roda que recebeu o meu amigo lá no plano além. E foi lindo! Era uma roda gigantesca com centenas de pessoas e ele (ou melhor, a luz dele) estava lá...e em paralelo havia um ritual xamânico feito com/para ele (sim, ele era xamã, daqueles que viveu anos no meio dos indios e tudo) e eu sabia que era a limpeza da doença e da dor que levou o corpo físico.Eu nunca experimentei uma alegria tão pura na vida...o Grande espírito permeava a todos e a tudo, foi magico! Quando eu me cansei da dança e fui conversar com um velho índio que me ensinou coisas que eu realmente precisava saber (que alias era o tema central do ritual de lua cheia que acabei não fazendo) e me dizendo que toda auela minha intenção era legitima e certa ; além de me mandar dar recados para algumas pessoas da roda daqui da Terra (que já foramd evidamente transmitidos).E assim a noite passou. eu não vou ao enterro, pq não é do meu feitio,mas eu fui a uma festa que eu garanto que pouca gente que conheço foi convidada a participar. E eu tive a certeza que eu não tinha: que eu faço parte de algo muito maior e que vale muito a pena.


"...tudo na terra tem um propósito, cada doença uma erva para curar , cada pessoa uma missão a cumprir. Esta é a concepção dos índios sobre a existência..."



Christine Quintasket (índia Salish) 1888-1936

2 comentários:

S. Thot disse...

Lamento a sua dor. Nos anos anteriores perdi também algumas pessoas do meu círculo de convivência. Mas a dor tem sempre outra face na moeda, que a certeza do Retorno e do Reencontro.

Talvez lembrem, talvez não, mas o Reencontro está traçado. Coragem, Paz e Fé são meus votos.

eu sou anfibia disse...

uau iony! amo esses 'sonhos'...!
todo o meu respeito não apenas pela vida dele mas como pela sua riquíssima experiência.
um grande bj