terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pensamentos avulsos

Estou aqui pensando que muitas mulheres no cerne do culto do Sagrado Feminino e afins, ficam só na leitura e não levam nada ou quase nada para suas vidas particulares. Gasta-se rios de dinheiro para se ter boa leitura, alimentar o cérebro com bons materiais e as vezes até cursos (se bem que essa parte de fazer curso sobre isso eu particularmente acho balela, mas cada um é cada um , certo?) e na hora do "vamu vê" elas demonstram que ainda estão tomadas pela mulher com medo de si mesma, com medo de se assumir. E muitas vezes nem sabe o que quer, só bebe na fonte intelectual mas não deixa essa seiva do conhecimento e poder entrar em sua veias e alma.

E aí  temos mais do mesmo: mulheres com medo de mudar de trabalho, mulheres que perderam seus sonhos, mulheres que têm medo da propria sombra ou que nem sabem onde está a sua sombra,mulheres encaixotadas num pacote sem destinatário.E a pergunta que não quer calar: Afinal, se temos esse conhecimento todo em mãos e não pecamos pela ignorancia como muitas por aí....então, o que estamos esperando para destruir os grilhões? O discurso é bom, é bacana e compramos....mas compramos e deixamos ele - o discurso- bonito lá na estante, só para falar que TEMOS, alias TER é o verbo chefe do mundo atual, certo?

 E a mulher liberta está lá tomando poeira na sala de estar, ficando acinzentada e agonizante. Porque simplesmente não temos coragem de vesti-la e nos assumir. A desculpa é a de sempre desde a época de nossas avós: marido, família, filhos e agora a novidade que é o "trabalhar fora". Mas são sempre desculpas para nos empurrarmos com a  barriga e nos lamentarmos, para no final jogar a  culpa em alguem ,nem que seja no analista que é aquele cara que vamos gastar nossa grana que acumulamos em tantos anos de trabalho e frustração. Isso se tivermos sorte, porque de tão caro é mais fácil jogar a  culpa no filho, marido, sociedade ou o primeiro gaiato que passar na reta.A questão aqui nem é a culpa, isso não leva a nada a não ser a mais culpa. A questão é que já passou da hora de sair do discuro e ir a luta , não na rua, mas antes de tudo na nossa vida, a vida de dentro, aquele oceano que corre dentro do peito.

Livros são fáceis de consumir, idéias são faceis de ter, mas mudança de atitude e coragem real, não vendem nem na livraria e nem em cursinho de centros esotéricos.

É, hoje eu acordei meio Nana Odara! rsrs

3 comentários:

Maria Alessandra disse...

Concordo!
A menstruação é "sagrada", mas tomam-se remédios para não ter o incômodo... o ventre é sagrado, mas tem que ser "sarado", e perde-se o prazer das coisas gostosas de comer... por aí vai... sempre as mesmas desculpas!
"ah, vida real... onde é que eu mudo de canal?"

Green Womyn disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ariany (Dhanna) disse...

Iony, é sério, estou assumindo: sou sua fã e quanto mais "leio você", mais percebo uma proximidade inexplicável!

Concordo e muito com o que diz, desde o fato de mulheres que viajam no mundo das idéias (e como tenho visto isso na net, mas fico de boca fechada, cansei de problemas virtuais *rsrs), até o fato de culpar algo ou alguém, escondida nas sombras do universo medieval, do medo...