sábado, 16 de outubro de 2010

Segundo turno???

Eu não ia falar de politica,mas depois que a Dilma se comprometeu com evangelicos (alô?!) sobre não incetivar no Congresso e Senado a  legalização do aborto.......Alias isso pra mim é infinitamente pior que a mulher do Serra ter feito aborto(se é que fez, pq politica é feita de mentira de todas as partes). Infelizmente tenho cogitado anular meu voto baseado na lei que discorre sobre o que aconetce caso a maioria dos votos sejam anulados...mas acho que isso todo mundo já sabe.Achei o texto abaixo bacana,reflexivo e realista. Comp praticante de uma religião declaradamente não cristã, tenho medo de uma neo inquisição velada de bem estar social.

Segundo turno: entre a IURD e a Opus Dei



Por Rosiane Rodrigues


No mês em que o "chute na santa" completa 25 anos - lembram daquela cena dantesca do "bispo" Sérgio Von-Hélder chutando Nossa Senhora Aparecida, transmitido em rede nacional, no dia 12 de outubro de 1985? - , um outro embate, só que desta vez entre a ultra-direita católica e os neopentecostais, está anunciado: a eleição de José Serra ou Dilma vai decidir em qual projeto teocrático o Brasil estará inserido nos próximos quatro anos. E ninguém parece chocado com este fato.

Pelo que tenho acompanhado na imprensa, a esquerda brasileira - ou o que sobrou dela - está, legitimamente, aterrorizada com a possibilidade de Serra ganhar a eleição por um motivo bastante interessante: temem que o apoio da Opus Dei e da TFP (organizações ligadas à ultra-direita católica; uma que esteve à frente de governos fascistas na Europa - Opus Dei - e outra que serviu de base para a ditadura militar no Brasil - TFP) possam fazer com que o país seja submetido a um regime teocrático. Mas eu pergunto: o Brasil já não é, tecnicamente, uma teocracia? Será que o PT, e os partidos da base aliada, esqueceram que a Igreja Universal do Reino de Deus - e vários de seus dissidentes - estão na base eleitoral de Dilma? Não foi a coordenação de campanha do PT que colocou o senador Marcelo Crivella (sobrinho do chefe Edir Macedo) para organizar as ditas bases evangélicas?

A nós, jornalistas, cabe fazer perguntas. Mesmo que as repostas sejam insuficientes ou não existam. Quando é que as propostas de Dilma e Serra para o Brasil sairão das questões dogmáticas que envolvem todas as religiões (como o aborto e a relação estável entre homossexuais) e passarão a ser laicas e estruturais, visando o bem-estar da população? Será que os dois candidatos ainda não perceberam que seus apoios não contemplam a diversidade no Brasil? Alguém tem dúvida de que a Opus Dei e a TFP,ou as duas juntas, são a mesma coisa que a as igrejas de Edir Macedo, Waldomiro Santiago, Malafaias e Garotinhos?

E como dever profissional, ainda garantido na Constituição,continuo: qual a disposição dos candidatos (Serra e Dilma) se comprometerem com a efetivação do Plano Nacional de Combate àIntolerância Religiosa? Será que os votos dos ciganos, judeus, cristãos históricos, muçulmanos, candomblecistas, umbandistas, católicosprogressistas, quilombolas, índios, ateus e agnósticos valem menos queos dos neopentecostais e carismáticos? Ou será que para os nossos candidatos (desta enorme pátria-colonizada-cristã) só interessa o podereconômico e eleitoral dos grupos que defendem projetos de dominação e o extermínio das diferenças?

Correlação de forças - O interessante é que se o Serra ganhar no segundo turno, terá enormes dificuldades em governar. Explico: a bancada neopentecostal cresceu acintosamente. O PR e o PRB - mantidos pela IURD - deram show nas urnas. Isso sem contar a eleição de diversos pastores e "ovelhas" deste rebanho em outros partidos, inclusive no PT. Este dado implicaria numa necessária composição dentro da Câmara Federal. Se a eleita for a Dilma, continuarão chovendo concessões de rádio e TV para os líderes dos currais eleitorais, em que se transformaram as igrejas neopentecostais. E claro, ela terá que compor com os aliados de ultra-direita de Serra, para poder governar. Porque qualquer um sabe que se o PT ou o PSDB acham que podem controlar, sejam os nepentecostais ou os seguidores da Opus Dei, estão completamente enganados. Projetos fascistas não se bastam, querem sempre mais e mais.

Então, vamos combinar. Ou Dilma e Serra atestam que a partir de 2011 o Brasil assumirá definitivamente a sua vocação para um regime teocrático (para que nós, os eleitores, possamos escolher entre um governo de ultra-direita católica ou evangélica), ou os nossos candidatos se comprometem com ações laicas, que visem a garantia e manutenção de direitos para as minorias étnicas e religiosas, sob o risco de embarcarmos num caminho sem volta.

Como sou precavida, já estou providenciando a renovação do passaporte. Talvez consiga asilo político-religioso em algum país do Oriente Médio. Mas sei que antes terei de cumprir o sagrado dever de votar.

Um comentário:

eu sou anfibia disse...

nossa iony, eu acabei de falar sobre esse assunto no meu blog... é de amargar que a política ande de rabo tão preso com a religião, cada vez mais, e ninguém (ou quase ninguém) esteja espantado com isso... socorro.

minha cidadania européia tbm está sendo providenciada. lá não estão muito melhores do que nós, mas não estão tãaaaao baixo, tbm...

ai, ai. bjs!!