quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cabelo: a identidade da mulher??

Cris Guerra

Esta é a Cris Guerra... Linda, charmosa e com muuuito conteúdo......A experiência de uma mulher que “abriu mão" do cabelão.... e olha no que deu....

"O que aquele cabeleireiro havia acabado de tirar das minhas costas não era cabelo: era o peso da  expectativa do mundo". Você conhece alguém que sonha ter os cabelos ondulados? Pois os meus pertencem a este meio-termo infeliz: nem o ar angelical dos lisos escorridos, nem a aura sexy dos lisos
esvoaçantes e muito menos as fantasias que moram debaixodos caracóis.Por muito tempo acreditei que só com fios longos escorridos eu seria digna de respeito. Cresci vendo minhas irmãs alisarem os seus. Seguindo o exemplo, passava semanas debaixo do secador, uma vida fugindo da chuva e muitos banhos ouvindo o barulhinho da água batendo na touca – e saía sempre com a sensação de não estar limpa o suficiente. O nível mais baixo a que cheguei foi dormir com os fios enrolados ao redor da cabeça, detidos como criminosos por uma meia-calça. Eu me deitava um monstro na ilusão de amanhecer linda e bem-nascida — naquele tempo, não existia chapinha.

Até que me rendi ao corte da moda: o repicado. Subi uns dez pontos na escala do amor-próprio — não fosse o fato de me tornar mais uma sósia do Keith Richards, o que só percebi anos depois, vendo minhas fotos antigas. Os cabelos cresceram, fui de novo ao salão, mas não tive a mesma sorte: o cabeleireiro errou a mão, cortando bem curto na frente e deixando um longo mullet para compensar. De roqueira, passei a uma sertaneja cabeleira Chitãozinho & Xororó. Apegada aos poucos fios longos que o corte me havia deixado, sustentei a situação por algum tempo — minha autoestima parecia ser diretamente proporcional ao comprimento deles.

Eu tinha 19 anos e trabalhava num banco quando finalmente fui salva: um dos clientes, cabeleireiro, colocou sobre a minha mesa o seu cartão de visitas. Entendi o recado. No dia seguinte, eu estava diante dele, corajosa: "Corta tudo." Não imaginava que aquela frase pudesse proporcionar tamanho prazer a um homem.
Com suas mãos de tesoura, ele começou extirpando os longos fios aos quais eu havia me afeiçoado tanto. Balancei a cabeça para um lado e para o outro. Uma surpreendente sensação de leveza tomou conta de mim. O que aquele cabeleireiro havia acabado de tirar das minhas costas não era cabelo: era o peso da expectativa do mundo. Naquele dia, acho que nasci outra vez.

Hoje, cerca de 240 cortes depois, me sinto a cada dia mais à vontade com meus cabelos curtos.  Arrepiados, com gel ou musse, curtíssimos ou maiores, penteados ou no melhor estilo rock'n'roll, só uma coisa não muda: a certeza de que o parâmetro para me aceitar está em mim mesma.Deve ser por isso que, à beira dos 40, eu me sinto como eles:em plenos 20 anos.

8 comentários:

DaniNeves disse...

Hehehehe... excelente crônica. Realmente, a cabeleira é uma das identidades sociais femininas... acho legal pra treinar o desapego! Afinal, cabelo cresce gente!!!
Bjssss

Nana Odara disse...

Ah...
a vida inteira tive cabelos curtos, mais velha de 7 irmãs, pra poupar tempo e problemas à minha mãezinha... por serem crespos, bem encaracolados, a minha mãe não sabia o q fazer com eles...
sofri muito com rolinhos e escovas q sempra deixaram meus cabelos armados e artificiais...
até a minha gravidez nunca foram mais q na linha do queixo...

na gravidez, um pouco antes, comecei a trançá-los, 'safari', como dizia o Cláudio, uma mistura de safada com hastafari... kkkkkkkkkkkk...
resultado, hj são enormes, volumosos e encaracolados...
uso muitas tranças, coques ou solto mesmo... não tenho coragem de cortar, pq o meu tipo de cabelo, crespo, curto, dá mais trabalho... compridão, basta lavar e trançar... mais prático p mim, q prefiro a morte a um salão de beleza...

Pietra disse...

Olha, Iony... eu tenho uma opinião mt simples... cabelo cresce, unha cresce, então não adianta entrar em pânico. Usei cabelo curtinho mt tempo, cansei, estou deixando crescer, me divertindo com as possibilidades... e se um dia cansar...

jacques disse...

CABELOS FRAGILIZADOS OU MUITO FRAGILIZADOS - LUXO E EFICACIA

Tente a linha ECRINAL DA FRANÇA, EXTREMAMENTE SOFISTICADA e especializada na nutrição dos cabelos fragilizados e deteriorados de HOMENS E MULHERES através de uma ação direta no bulbo capilar, local de formação dos cabelos. E bastante interessante.

As pesquisas mostram entre outros um aumento da fase anagena ( de juventude ) dos cabelos.

Essa ação pode ser descrita cientificamente da seguinte forma:

Em resumo, o ativo patenteado da linha ecrinal, o A.N.P.® age sobre a papila dérmica, ativando a produção de grupamentos S-H, proporcionando um metabolismo ativo, indispensável à síntese de metionina e cisteína, aminoácidos que constituem essencialmente os fâneros (cabelos, cílios, sobrancelhas e unhas).


SÃO PRESCRITOS TAMBÉM PÓR DERMATOLOGISTAS

O resultado e glamouroso como a origem dos produtos, produzido em Mônaco, na Rivieira Francesa .

TEM ATE XAMPU A SECO PARA AS MULHERES QUE FAZEM BRUSHING / ESCOVA E NÃO PODEM LAVAR OS CABELOS DIARIAMENTE.

Consulte os sites ( são sites técnicos e não de venda ) para poder analisar o seu caso adequadamente:

www.ecrinal.com ( francês e Inglês )
www.asepta.com ( da França )
www.asepta.com.br ( no Brasil )

A Época Cosméticos no Rio, Drogaria Iguatemi em São Paulo e outros têm esses produtos à venda inclusive pela internet. (saisdaterra, dermexpress, dermatan, pharmaweb,... )

espero ter contribuído de alguma forma

Iony disse...

A egada do etxto é a escravidão estética que no momento gira em torno de cabelos lisos. na proxima estação...vai saber o que...mas o boo é o cabelo grande e liso. Há quem diga que só assim se pode ser feliz. Muitas querem assumir seus cabelos reais , muitas querem despirocar e fazer um cabelo louco.Poucas têm coragem de se render as suas vontades e não as da mídia. É essa a pegada do etxto e não se a gente tem cabelo grande ou não.

Nana Odara disse...

Mas acho q foi isso mesmo q eu quis dizer...
depois de mto tempo sob o jugo alheio, pude finalmente fazer as pazes com meu cabelo, amando-o do jeito q ele é...
Vc não acredita, mas as pessoas custam a aceitar por exemplo qdo faço trancinhas hastafari, mudam a maneira de falar comigo... mas aí mesmo q eu gosto de provocar, pra q as pessoas consigam enxergar o racismo, q às vezes é tão velado, mas tão velado, q nem quem é racista consegue detectar...
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...

ps: o lisão, o fino do brega, aki no Brasil pode ser moda... mas lá fora o desfiado tá com tudo, já postei sobre isso logo q cheguei, assustada com a proliferação dos salões de beleza e igrejas evangélicas... kkkkkkkkkkkkk

mostra teu cabelo áí!!!
já cortou ou tá só ensaiando?!!!

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

([säm]) disse...

Meo! Adorei seu post!
Ando passando por algum tipo de crise por conta dos meus cabelos =/ acho que no fundo tem alguma coisa a ver com algo na minha personalidade talvez, mas sabe aquela sensação de vc ainda não aparentar seu interior, ou ainda não ser o melhor de si mesma?

Algo inadequado sei lá.

Eu passei pela mesma coisa quando cortei meu cabelo curtinho pela primeira vez (desde os 6 anos, quando minha mãe cortou meu cabelo cacheado dizendo que ia ficar liso e eu acreditei).

Ninguém queria cortar meus cabelos, e lá fui eu cortar com uma faca no maior estilo Mulan (aos 23 anos já).

Sei que me sinto muito melhor com cabelos curtos do que jamais senti quando tinha cabelos compridos. Mas infelizmente ainda dependo da escova semi progressiva pra que o corte fique legal mesmo =/

Mirna disse...

O cabelo é muito importante para a identificação das mulheres. Eu tenho o cabelo ondulado e tenho orgulho deles. Quando eu era meninas brincou comigo por meio do meu cabelo. Mas nunca se arrependeu de ter cabelos cacheados. Eu os amo!