segunda-feira, 28 de março de 2011

Sekhmet

Como alguns já sabem Sekhmet é minha "madrinha". Hoje foi o primeiro dia de culto Dela após eu saber que Ela está comigo.Então nada mais justo que homenageá-la em seu dia!


E a cabeça não pára,ainda mais sabendo que hoje se honra a face destruidora da Deusa.Isso tudo pra mim é muito,muito novo pois Sekhmet é uma Deusa que eu já admirava mas não prestava culto, me era familiar, mas não prestava culto.Existia um amor sincero e uma distância enigmática entre nós,pois os seus atributos, o que a envolve para mim são grandes mistérios,até então bem distantes.

Decidida as oferendas e a trilha sonora, dei seguimento ao ritual. O ritual kemetico é básico,rápido,simples. O que se segue depois da fórmula ritual é festa e corre por nossa conta! resolvi ofertar um meu vestido novo , o que eu chamo de 100%red.Coisa sui generis na minha vida eu ter feito propositalmente um vestido completamente vermelho.Isso foi antes da minha divinação parental, uma vontade louca que veio e eu mandei fazer.Para mim vermelho é o feminino em estado bruto,puro,como deve ser.Não,nem sempre eu tive essa relação íntima com o vermelho,mas isso é outro assunto. E teve vinho, teve maçã vermelhona, vestido vermelho, colar de coral e o lenço de dança que há MUITO tempo estava enterrado no fundo de uma gaveta.Pausa para “questão lenço”: é óbvio que aquele ser que sopra no ouvido,me lembrou de sacanagem o lenço que eu havia enterrado,esquecido e sabe-se lá mais o que. O que isso quer dizer? Quer dizer que a hora de dançar bateu à porta e a cobrança agora é Divina. Mas isso também é outro assunto,importantíssimo aliás.

Escolho músicas de batidas fortes mas sem ser enlouquecedoras, batidas que mexem com a mente e levam pra longe,para o meio do deserto quente e implacável.A ordem era destruir tudo, acabar com tudo,limpar tudo,finalizar tudo.Em que lua nós estamos? Pois é,né?As coisas não são em vão. Timidamente eu dancei, assim bem meia boca. Só que o calor da leoa acabou me tomando na marra (sim, eu sou tinhosa!) e eu me ajoelhei e senti cada batida da música no meio do peito.O lenço acabou indo para a cabeça,me cobri para me revelar.A dança do ventre de maneira clássica dos salões,aquela que todo mundo está acostumado a ver e delirar,não é pra mim.Comigo a coisa vai além,muito além. A dança vai lá pro meio do deserto, onde os pés descalços e sujos, a pela marcada de sol,a mão calejada pela lida, o cansaço nas costas por carregar cestos e jarros de água por Km; não é motivo de vergonha ou feiúra: é motivo de orgulho.Sekhmet me lembrou que eu sou uma mulher da terra,do chão,da areia batida e seca. Sou dura e sou fértil. E a batida dentro de mim se transformou num Zaar! COMO ASSIM? Calma! Zaar é uma dança de transe, uma dança ritual que mesmo proibida pelo Islã, ainda existe no norte da África para fins de cura.É especialmente dançada na maioria das vezes por mulheres.Não, eu nunca tive oportunidade da estudar o Zaar, acho que aqui no ES não tem ninguém habilitado para tal...até porque,muitas pessoas têm medo do assunto. (PAUSE: Leia aqui sobre o Zaar. Veja aqui o Zaar )

Enfim,eu quando dei por mim, já estava encharcada de suor,com as pernas doloridas de ficar o tempo todo de joelhos e mesmo tendo passado 5 minutos a sensação era de estar fora por horas.É...estar “fora” é a única palavra que cabe aqui. E eu estou limpa e forte. Quando tudo acabou e eu voltei a ser “Iony com cara de panguá “ eu soube que ali havia acontecido o meu primeiro contato com a Leoa, a guerreira, a implacável com os inimigos.E eu sou peço que Ela me proteja da maldade, da maledicência seja lá de quem for.

Dua Sekhmet!

4 comentários:

Babi Guerreiro disse...

Nooooossaaaaa amada q forte sua experiencia com Ela...

Lindo de se ler, imagino como estas :)

Beijo enorme

EUSTAQUIO disse...

Você como sempre arrassssssssssssssaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa minha linda, te amo.

Espartana disse...

selo pra vc ;) http://sofalex.blogspot.com/2011/03/selo-iluminador.html

Luciana Onofre disse...

eis uma vivência que mereceu ser plasmada em letras =)