terça-feira, 23 de agosto de 2011

Diane Arbus e A Pele

Não é segredo que eu me interesso por personalidades femininas e sua atuação no mundo.E não é segredo também que eu busco sair do roteiro “mais do mesmo”. Ontem na aula de fotografia eu fui apresentada à fotógrafa (e sua obra maravilhosa) Diane Arbus.



Fotografar para revista Vogue era fácil,mas ela abandonou esse ofício tão tentador e desejado pela maioria para se dedicar ao mundo que preferimos não olhar,ao mundo de pessoas e imagens que não são interessantes para a maioria de nós.Gostar de olhar o “belo” é fácil, gostar,entender e assimilar o “feio” é desafiador.E ontem nós lemos parte de sua biografia e assistimos o filme A Pele que uma adaptação livre de sua história.Para além dos relatos o filme mostra o sentimento que pode levar alguém a mudar o rumo de sua vida e ir na contramão de tudo o que esperado de uma mulher. Além da estética,me fez pensar nas relações humanas e sobre as coisas que gostamos e não confessamos.


Como escreveu Maria Helena Mossé sobre Diane Arbus:



Hermafrodita e seu cao no Carnaval -1970 Diane Arbus
 Uma pessoa é o que ela parece ser? Sua imagem funciona como um carimbo de identidade? Ou existe um “para além” da forma ? Apesar de profundamente inseridos num contexto social, para Arbus seus modelos são pessoas únicas que representam metáforas delas mesmas. Procuram, ao acentuar um aspecto físico, um detalhe qualquer na roupa, a diferenciação possível dentro do grupo a que pertencem. Numa tradução livre de suas palavras ela diz que seus modelos “inventados por suas próprias crenças são autores e heróis de um sonho que se faz real na medida em que nós, espectadores, nos permitimos deixar abismar” . Com seus retratos, ao evocar a cumplicidade de quem olha, Arbus permite que surja nesta relação tridimensional (artista, modelo e espectador) o espaço da criação. Seria este o “mais além” ? O lugar da fantasia de cada um? Susan Sontag, no prefácio do livro Women (Ed. Random House, New York) de Annie Leibovitz, propõe uma questão interessante: “A fotografia não é uma opinião. Ou é?” Para Arbus um retrato é “um segredo sobre um segredo”. Quanto mais ele revela, menos sabemos, mais ficamos intrigados. Num certo sentido o retrato convida a uma opinião, pede uma reação, reação esta calcada nas representações que brotam do imaginário de quem olha. (artigo completo aqui)



Eu recomendo o estudo ou o olhar descompromissado sobre a obra de Diane,além de uma boa reflexão sobre os assuntos correlatos.Recomendo o file A Pele (mesmo sendo uma versão assumidamente romanceada da história da fotógrafa) com interpretação de Nicole Kidman e Robert Downey Jr. E uma olhada no site oficial da fotógrafa é um bom divertimento!




Um comentário:

ArtemisMelissa disse...

Eu assisti o filme da Nicole na época em que lançou, lembro ter adorado ele... ;)