segunda-feira, 10 de março de 2014

Crossroads



Eu estou num grande e tenebroso hiato.Um hiato subterrâneo,maternal.Uma crise de identidade.Um momento em que ficar somente no ninho não basta mais.Mas a pessoa que eu era antes da maternidade já não mais existe e eu não sei que é a pessoa física da minha pessoa. A “pessoa jurídica” é a mãe mas e a pessoa física,cadê? Então decidi partir para uma busca e com essa busca veio a desestruturação de tudo aquilo que me era seguro e fixo,certezas plenas duramente conquistadas se desfizeram como fumaça.E sobrou um buraco no meio do nada. Ando em dois mundos  mas , não me sinto parte de nenhum.O mundo materno é dividido entre o ativismo que não abracei e o senso comum que nunca me pertenceu.Sigo flutuando entre as coisas. A espiritualidade reside agora num abismo sombrio,escuro e seco.Não sei mais no que acredito e ao mesmo tempo existe uma ânsia de seguir um grito vindo de uma encruzilhada distante.No céu só vejo corvos assinalando o caminho. Um abraço quente vem de Aset que um dia também saiu em busca do corpo morto do ser amado.Eu busco meu corpo espiritual desfeito ,despedaçado,partido,sangrando em algum lugar que não sei onde é.Não sei por onde começar a trilha,são tantas... Sinto que estou na beira do mar esperando um barco que irá para terras distantes e nessas terras... nessas terras ainda terei uma encruzilhada para seguir. O que me dói é a incerteza e a sensação de estar amarrada por cordas invisíveis. Eu pessoa física não sei mais quem sou. Eu preciso de sangue pois  de lágrimas já estou farta.

2 comentários:

Daiane Ribeiro disse...

Querida. Me preocupo com você, apesar de não te conhecer. Tenho três filhos e entendo o que vc sente. Gostaria de saber algo mais, quanto tempo faz que se tornou mãe? Vc é sozinha ou tem pessoas que te ajudam? É muito importante que vc tente se sentir melhor, pois agora muito depende da sua força e perseverança. Acredite que é só um momento, uma sensação transitória e não se entregue, pois vai passar logo...depois desse vazio terá uma experiência muito enriquecedora, mas depende muito da sua reação e essas emoções. Pode ficar a vontade pra conversar comigo se precisar, tá?

Ghi disse...

Querida. Eu tentei "me ajustar", voltei a trabalhar... mas essa sensação continua, pra mim não passa, quando ameniza acontece algo que me volta mais profundamente a um não pertencimento. Um círculo de mulheres me ajudou muito, mas não é suficiente, pois cada mulher tem o seu momento...
A única coisa que consegui entender é que é uma busca solitária eterna me e peço somente para ter forças para enfrentar.
Quando as coisas começaram a ficar mais fáceis e comecei a passar mais tempo comigo mesma, fazendo coisas para mim... engravidei de novo e todo o questionamento e solidão recomeça...
Pra mim continua e agora de forma diferente porque é outro filho e eu não sou mais a mesma...