sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Cronos

Eu sinto a presença de Cronos todos os dias. De um lado meu filho e sua tenra idade,do outro minha mãe e seus 84 anos. As descobertas do mundo de um e os olhos opacos e cansados de outro. Cronos é doce e amargo e é inevitável.De um lado repleto de bênçãos,do outro um tic tac  irritante que pode silenciar a qualquer instante.E eu ouço o seu peso implacavelmente suave. Cronos é doce e amargo. Ele nos dá lições duras e doloridas,canta canções grotescas e gentis.Cronos dança com as Moiras,talvez. Como uma pessoa de capricórnio, o tempo corre diferente para mim. O tempo corre pesado e num ritmo interno,diferente do mundo externo.O tempo das coisas.O tempo das pessoas. O tempo do bebê que precisa ser lento para absorver as coisas,aprender.O tempo da velhice que precisa ser lento para realizar. E eu no meio - nem jovem e nem velha - observo, espero,rezo. Procuro um fio para me apegar, mas os fios não são os meus,não posso pega-los,não posso reter. Sento.Espero.Não posso fiar. Observo Cronos em sua lentidão agir e me ignorar. Não há o que fazer.Não há o que temer. E eu fico aqui nem no passado,nem no presente. 

A mulher é feita de tempo.



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