sexta-feira, 10 de outubro de 2014

walking in my shoes*

A primavera volta e o Sol brilha.Eu me sinto viva novamente.Nesses quase dois anos de maternidade eu passei por momentos duros e necessários para me formar como novo ser.Passei tudo isso sem remédios,sem terapias,sem nada.A vida não me colocou nesse caminho.Foi tudo seco,sem anestesia e de uma lucidez aterrorizante.


Pouco falei fora desse blog.É difícil encontrar compreensão.Por mais que os amigos gostem de nós,depois que somos mães tudo se torna frescura ou drama. Ouvi muitos “eu acho que você deveria.......”, “ você deveria sair dessa bolha.....”, “já deu,né?” ou coisas do tipo,como se os sentimentos tivessem que ser mensurados e ter prazos de validade. Existe a cobrança,como se ser mãe fosse apenas mais um acessório na vida da mulher,algo que se acrescenta ao visual,um brinco talvez.Por isso e por falta de vontade, pouco falei com o mundo externo: Instinto de preservação.E quanto mais barulho externo,menos ouvimos o interno.O silêncio foi bom,  sem ele a coisa toda seria muito mais conflitante. Eu me aborreci e me magoei bastante,a falta de empatia humana é uma coisa assustadora.Pessoas que gostam de  nós e  nos prezam,simplesmente nos compreendem até... a segunda página. Mas,me lembrei de um ditado: você só pode falar do caminho de uma pessoa quando calça os seus sapatos. Como só eu calcei meu sapatos,somente a mim cabia medir o tamanho da minha dor.Então silenciei,lamentei e segui.


Como o Sol eu recebo e abraço tudo o que me chega. Sinto que algo desconhecido brota de minhas entranhas e me dá novamente vontade de viver plenamente. Ideias passam por minha mente, ideias que me levam de volta ao caminho do sagrado feminino com nova perspectiva.Eu estou mais atenta,mais critica e menos dura. Parece controverso,eu sei.Mas eu sinto que estava dando murros em ponta de faca. O mundo é tão diverso, que acredito que em algum lugar e vou encontrar a minha trilha.Até lá eu aprecio os movimentos e os sorrisos de quem passa por mim.



Eu estou feliz,enfim. 

* Título de uma música da banda Depeche Mode.




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