terça-feira, 11 de novembro de 2014

Pare.Espere.Siga.




Quando eu estava grávida li uma matéria de um blog materno onde a autora escrevia sobre o emburrecimento materno, de como ela não conseguia mais ler livros,estudar ou fixar novos conceitos na mente.Eu espumei de indignação,como é típico do meu comportamento. Compartilhei o texto num grupo que participava e poucas comentaram,as que o fizeram riram e concordaram.Pensei que obviamente eu não seria afetada por tal absurdo,que isso era coisa de mulher preguiçosa.

O tempo passou. Logo que o filho nasceu eu li um livro,me senti vitoriosa e a vida ia seguindo seu rumo.Só que a medida que os bebês crescem as demandas também,junta-se a isso as noites mal dormidas por conta das mamadas e você tem como resultado uma mãe zumbi. Ora, todo mundo sabe os efeitos sobre nosso organismo quando somos privadas de boas noites de sono....imagina quando isso se torna rotineiro! Livros começaram a ser depósito de poeira.

Pois é, emburreci!!!! E nem percebi!!!! O tic tac do relógio começou a ficar alto,estava chegando a hora de voltar para a Universidade. Como, se eu não me sentia preparada? Eu não conseguia pensar em nada que não fosse em cuidar do meu pequeno, o mundo acadêmico estava distante,fora do meu planeta mãe! Não,não e não! Driblei os tramites da Universidade e não voltei.

O tempo passou,de novo. Algo começou a me incomodar. Grupos e leituras maternas não eram tão edificantes e sedutoras como antes e meus olhos percorriam  velhos e bons assuntos tão adorados no passado. Sai dos grupos maternos,voltei para o que realmente amo. O filho começou a se tornar um pouco mais independente e omeu companheiro pedir para  eu alçar os vôos que tanto ansiava,ele me daria o suporte.E a coragem? A coragem só a gente sabe onde busca-la!!

Decidi voltar. Mas antes,decido voltar de uma maneira completamente diferernte,voltar com uma mente mais aberta e agarrar toda e qualquer oportunidade que estivesse ao meu alcance e dentro de minhas possibilidades. Ficar num hiato por quase dois anos me permitiu entender e aceitar onde eu estava errando em boa parte da minha vida e me abrir mais para o Universo. Eu queria a sede de mundo que eu sempre tive e que eu havia abandonado.Hoje minhas possibilidade são menores e meu tempo,idem.Mas exatamente por isso,que as coisas tem um gosto mais apurado e  mais desafiador.

Óbvio que eu sei que infelizmente nem toda mulher tem um suporte que lhe permita tal isolamento do mundo. Porém eu acredito que não devemos nos render às pressões do mundo. Sei de muitas mulheres que entram em depressão (ou algo do tipo) pois não conseguem mais ser a mesma pessoa que era antes de um filho. Muitas são as exigência em cima de uma mulher,um filho é só um bônus que temos que carregar sorrindo e sem reclamar da nossa vida. Temos que cuidar do filho de nós,da carreira,da casa,do marido e sabe-se lá mais o que. Se você não quer mais estudar/projetar/criar/delegar/,ou não consegue,ou se sente cansada para tal no momento após o nascimento de um filho, o problema é seu,ninguém se importa. Mas sempre  há um apoio para quem busca,procure grupos de mães ativas, círculos de mulheres, terapia holística ou não,enfim se cure,peça ajuda.O Universo irá conspirar a seu favor.


De todo o meu coração,que as mulheres encontrem o que eu encontrei.Que tenham força para aceitar suas fraquezas e forças para buscar a cura.

2 comentários:

Susane Mendoza disse...

Alpaca Iony,
É piegas e clichê, mas o tempo sempre se encarrega das coisas.
Eu tenho hoje a mentalidade, de que as experiências na universidade vão melhorando de acordo com o tempo.
Força sempre e mantenha o coração sensível ao que te acontece.
Beijo, Alpaca Suzy

Carol Carvalho (Carol Yara) disse...

Aí querida.... O que dizer? Tanta coisa... #suspiros
1º) sincronicidade - este é o meu exato momento atual. A recuperação do meu direito (e das condições) de ter uma vida... Uma vida MINHA!! Destinar nem que seu poucas horas para o que sou, serei e quero, desejo.

2º) os anos passam, a sociedade muda e alguns parâmetros continuam os mesmo. E eu não consigo entendê-los direito. Ex: ainda que tenhamos companheiros participativos e solidários, no suporte e na dedicação com casa e filhos; mesmo assim, homens e mulheres não são iguais. Somos apenas iguais apenas em nossas diferenças. De modo que o ser pai e o ser mãe, o ser do lar são papéis que eu não são literalmente iguais para ambos. Logo, somos demandados de modo distinto. Tudo isso para dizer que - não tem jeito - ainda fica para nós o grosso desse papel de cuidadoras. Seja de filho, de marido, de familiares, de pets, da casa, roupa, comida etc etc etc.

3º) recuperar uma certa identidade intima e particular, que possa traduzir nossos anseios, depois de um filho NUNCA MAIS será integral... Isso é fato! E digo isso pq, assim como vc, tb usei esse período sabático de completa anulação e emburrecimento, exaustão por 2 anos para refletir e identificar meus limites e minhas possibilidades. Revisitei valores e concepções de vida (que ainda estou ressignificando) para aceitar o inegável: ser mãe não é mera atribuição de cargo ou uma nova identificação nos documentos civil. Ser mãe é uma condição se né qua non a qualquer outro ser. Pois, sobrepuja tudo e todos. Alastrasse como uma erupção que absorve o que estiver pela frente. Portanto, a partir de agora, só seremos e só poderemos aquilo que o magma da maternidade deixar. Na hora que ele quiser. E se quiser!!!

4º) hoje, não é só condição de ler, produzir e degustar da vida que eu tento recuperar. É o discernimento objetivo e pragmático do estabelecimento dos limites. Não se fala tanto da necessidade de colocar limite nos filhos desde pequeno? Pois então, essa me parece ser o ponto X. Porque, os limites evidentemente não são apenas para os pequenos, né? Para que eles saibam o que fazer, quando fazer e como fazer. Até onde ir. É, sobretudo, para nós!! O limite que daremos para esse "ficar acordada". Para a atenção exclusiva. Senão, ficaremos loucas!!! Não sei se acontece com você, mas o Davi está entrando na fase de falar seu dialeto tal como a mãe, tagarelando o tempo todo. Eu mal consigo conversar com o Dan, 3 frases seguidas, sem sermos interrompidos por um chamamento frenético e "pai! Painhê! / mãe! Manhê!". Privacidade então, com apenas um quarto para pais e filho, zero!!! Nunca mais consegui ir a um cinema ou um espetáculo. Apenas exposição e olhe lá. Nada demorado ou muito comportado.

Por fim, se mal conseguimos, até hoje, ir ao banheiro sem ser seguidas, lavar tranqüilamente o cabelo e dormir com tranqüilidade; claro que independência (ou alforria) integral é utopia. Liberdade é qualidade!! Ainda que seja por breves 5 minutos, rsrsrsr