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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O Vazio do Todo




Existe uma prática muito comum dentro do paganismo que é o uso de imagens de nossos deuses em altares e rituais . Existem imagens lindíssimas por aí, daquelas de cair o queixo e doer o bolso...ahh e como existem! O intuito aqui não é falar o que a imagem/estátua significa de maneira geral, sobre isso existem textos maravilhosos na Web.

Percebo em mim um sentir completamente diferente da maioria. De repente me dei conta e aceitei que eu não gosto de usar imagens nem em ritos, nem em altar de trabalho e nem em nada. Tenho imagens? Algumas. Mas,aquela ânsia de outrora, de possuir em casa as imagens dos meus Deuses mais queridos, de representações físicas deles, desapareceu. Não procurei investigar o motivo e sim aceitar e lidar com essa ausência.

Segui o meu caminho.

A sensação que tenho é de liberdade.

Tenho um compromisso muito sério, um voto selado com Divindades do Egito e todo esse novo pensar/sentir no início me incomodou muito por conta desses votos. Até que percebi que meu maior voto é para uma divindade que nada mais é que o próprio sol. E isso meus amigos, é de uma imensidão infinita e absurdamente abstrata. E comecei a partir dessa compreensão, um caminho muito interessante e que até pouco tempo pensava ser só meu.

Graças a todos os deuses, nós temos internet e nela descobri um caminho muito sui generis dentro da bruxaria que pensa e trabalha exatamente como eu. E que sensação maravilhosa devorar informações que enfim, eu entendo!!!!

Sem nomes e reverenciando forças muito mais antigas que os próprios nomes, tento dia após dia, me conectar com essa encruzilhada sem forma. Mergulho acordada, no mais profundo de mim e me vejo sem esses apetrechos que adquiri ao longo do tempo, da vida, da existência. Saber da existência de caminhos antigos que provavelmente meus antepassados de nome em algum momento esbarraram ou percorreram. Desvendar as névoas que ainda encobrem meus olhos de lá, aceitar minhas limitações, fazer minha parte dentro do nobre ofício, reverenciar essas forças que se apresentaram de maneira sutil e certeira em momento inesperado. É o que busco fazer todos os dias.

Poético você deve estar pensando.

E por que não? - eu lhe respondo.

Entendi que preciso e devo ter o meu modus operandi, mas sem ser inocente. E tenho todo o tempo para isso. Preciso me desconectar de tudo o que não deu certo e me assumir como buscadora.

Confiar .

Não gosto mais da ideia de uma imagem formatada. As coisas que sinto não possuem rosto/corpo. Eu gosto de sentir, de ver com a pele e com o espírito. É como se uma imagem não fosse mais suficiente para me conectar. Tornou-se algo supérfluo para o meu caminhar. Vejo discussões infinitas sobre imagens, as mais bonitas, as desejadas, as muito esperadas e tudo me parece um som distante de um mundo que não é meu. É como flutuar e ver tudo bem longe...

Eu tenho me sentido bem com o externo da minha casa, repleta de companhias  e de coisas que vou magicamente construindo.


Abandonei as imagens porque eu sou minha própria divindade.

Um comentário:

Allan Lucena disse...

Que delícia de texto, mais uma vez, você captou o que também sinto de forma simples.

Apesar de não seguir um caminho espiritual, porque ainda não encontrei nenhum que vibre na mesma intensidade que eu, compreendo essa liberdade e acho ela uma das formas mais gostosas de magia.

Beijos!
Muita luz e dança e ritos que vem do coração ao invés dos livros!