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terça-feira, 6 de março de 2018

A voz


I am the Voice in the wind and the pouring rain,

I am the Voice of your hunger and pain;
I am the Voice that always is calling you,
I am the Voice
The Voice- Celtic Woman






A sobrinha de um grande amigo se interessou pela Velha Arte. 

Hoje ele me pediu para emprestar um livro nível iniciante, que aliás era dele! Meu coração explodiu de amor,pela oportunidade de ajudar uma caminhante que está interessada e bem orientada.  Eu dei o livro porque é para isso que eles servem, para circular por aí.


Não nego: não tenho a mínima paciência para quem está começando nos dias de hoje. As pessoas se tornaram preguiçosas, acomodadas e dependentes e suas almas ainda estão domadas. E às vezes eu me encaixo nesse padrão, não sou perfeita. Porém esse caso, vindo de quem veio, despertou um comichão em mim, que aliás, está me perturbando há uns dias.

Tenho uns posicionamentos meio confusos  perante as pessoas que se dedicam a instruir os jovens caminhantes.  Ora acho que eles perdem tempo, ora os acho verdadeiros mestres na arte da  paciência . Além de terem fé no outro, é claro. Nunca instruí ninguém, eu só escrevo ou falo o que penso e nem sei se isso faz alguma diferença no mundo fora de mim. Mas,tenho pensando nas boas possibilidades que o mundo sem  fronteiras nos oferta neste momento tão frágil .

Não estou pensando em formar grupos de estudos ou coisas do tipo. Não tenho menor traquejo para ser professora/orientadora. Só tenho pensando em como ajudar essa moçada que está cada vez mais frágil e perdida num mundo repleto  de possibilidades e ilusões. Talvez através da página do Facebook, divulgar eventos, cursos e grupos de estudos que eu realmente conheço e confio, seja um passo. Não sei.

Sinto que o momento é para suavizar a dureza das coisas. Quem tem uma visão mais ampla de espiritualidade pode (e deve) acalmar os ânimos ao seu entorno e mostrar possibilidades de ação. Isso não é carregar ninguém no colo, as escolhas são pessoais, inclusive a escolha de carregar ou não.  Não recomendo que se carregue ninguém, que fique claro! Ensinar a pescar é o lema que não deve ser perdido!

Enfim, deixei um bilhete dentro do livro que essa mocinha ansiosa em breve começará a ler. E espero sinceramente que seu espírito continue indomado, independente se ela abraçar a bruxaria ou não. Tendenciosamente, porém em silencio, torço para que ela seja mais uma a agregar na trilha sagrada! Mas racionalmente, só espero que ela cresça sabendo quem é, o que quer e como agir no mundo.

O chamado ainda é ouvido por aí.



Um comentário:

Allan Lucena disse...

Se ninguém ensinasse ninguém, se não tivessem a paciência e a calma para desfazer as ilusões, não haveria caminhos a serem seguidos, tradição para ser passada e vivida.
O ofício de ensinar é muito rico e muito desafiador, mas aprendi que quando ensinamos, aprendemos em dobro, mesmo sem ser uma pessoa boa em passar as mensagens, a gente sempre ajuda alguém e é ajudado em troca.