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segunda-feira, 30 de abril de 2018

Ela é forte.E esse é o problema




Um dia me olhei no espelho e me assustei. Olhos tristes, corpo cansado, mente saturada. A vida me deu um porrada muito forte em 2017 , eu caí e lá fiquei. Acho que foi ali que entrei no modo automático de viver. Mas o espelho não mente e lá estava refletida toda a minha verdade. Eu estava (e ainda estou ) cansada. Olhar-se e não se reconhecer,  perguntar  onde estamos e adquirir forças para a busca. A gente sabe que precisa fazer algo para si, mas às vezes não sabemos por onde começar. Eu admiti que não estava tão bem quanto eu imaginava, conversei com pessoas queridas, tive apoio e fiz o duro trabalho de aceitar que preciso e devo contar com ajuda nessa jornada de volta a mim mesma. Não é fácil mas, é possível quando se tem uma rede de apoio.

Por que é tão difícil:

  1.  Reconhecer que estamos exaustos?
  2.  Pedir ajuda?

Existe um ponto absurdamente dolorido, mas muito positivo nisso tudo: eu precisei muitas vezes engolir o meu orgulho e aceitar ajuda. Precisei calar e ouvir sem transformar a conversa num embate no qual eu teria que ser vencedora. Dói e quem é orgulhoso vai me entender!

Considero esse momento como o meu primeiro passo para uma jornada de cura. No fundo eu sei que ela é necessária até mesmo para a minha volta ao caminho mágico. E também reconheço algumas paradas obrigatórias desse caminho. No fundo a gente “sabe”. E agora eu reúno velhas e novas ferramentas de trabalho.

Numa dessas zapeadas sem compromisso pela internet encontrei uma dica de jornada com o tarô, peguei-a, adaptei para o meu jeito e comecei e brincar novamente com as minhas cartas. É como ter o sangue voltando a bombear o coração, o tarô é ferramenta e caminho de cura! Comecei a pensar no que deixei para trás e no que posso recuperar e adaptar. Quando não entendo, amigas tarólogas me dão a mão e seguimos. Amigos são como as tochas de Hécate. Ponto para mim que aceitei ferramentas de ajuda!

Com todos os trancos acadêmicos que passei mais o problema que tenho que carregar, meu cérebro adquiriu um modo seguro de agir e eu entrei no automático. Eu deixei de ter empatia comigo mesma. O meu eu verdadeiro (sempre sábio) grita por vida e isso causa várias panes no meu sistema. Uma luta entre o dever e o querer. Fiz um acordo comigo mesma: termino (bem ou mal) a minha graduação nos próximos meses, continuo cuidando daquilo que não posso abrir mão e vou fazer por mim aquilo que precisa ser feito.

Percebi que fazia tudo com pressa para poder dar conta , obviamente sem conseguir. Com isso deixei de fazer coisas que gostava, sempre dando desculpas, sempre colocando o viver em último lugar. Eu me privei de tudo. E se alguém me perguntar, racionalmente eu não sei responder. Talvez nos próximos anos de terapia... Comecei a me esconder e a crosta que criei foi tão forte que veio para o exterior: engordei. Ok, sempre fui gorda, mas engordei mais . Ai outro sininho tocou dentro de mim: a saúde não estava bem. Ir ao médico é um porre pq eles são uma classe que por si só vive no automático. Mas, não posso abrir mão desse cuidado e em paralelo tenho buscado alternativas. Não, eu não vou falar de emagrecimento! Comigo as coisas acontecem no profundo e não no raso.

Busquei pelo movimento Body Positive que eu sabia bem por baixo do que se tratava até então. Na verdade eu quero entender o que é aceitação de si de maneira ampla, mas sem discursos chatos porque eu me entedio fácil e tive uma bela surpresa com os canais do Brasil. Pessoas divertidas, falando sobre si sem pieguismo e sem discursos de super pessoas que encaram tudo sem medo. Vida real para pessoas reais.

Esse é um processo que vai ficar para outra postagem .

O ponto aqui é que eu finalmente consegui me abrir mais um pouquinho para o mundo e para os meus. Inclusive,esse post confuso é parte do processo. É tudo novo. É como aprender a andar. É uma nova linguagem onde eu mais erro do que acerto. É como largar um vício. Se você está numa fase desse tipo , se permita e segue em frente. Pede ajuda profissional, aceite a mão dos amigos e pessoas queridas. Vai dar certo.Confia!


Um comentário:

Ruth Campos disse...

Muito isso ione, já faz um tempo que tenho também me econimizado. Coloco as coisas em odrdem de prioridade mas parece que meus interesses pessoais são aqueles que nunca aparecem na bica. Esta semana tenho refletido bastante sobre estas questões e justo queria falar com vc sobre. Agradeço por compartilhar. Ps quero a dica sobre saúde . Aguardando.bjs